quinta-feira, dezembro 20, 2007

Para reflectir um pouco....

video

Crónica de Daniel Sampaio BRINCAR


Nunca pensei que os gerentes da Duracell se preocupassem com estudos sobre pais e filhos. Para mim, mandavam numa simples fábrica de pilhas, capazes de fazer correr sem parar um irritante coelhinho! Ideia preconcebida: acabam de publicar um estudo com 900 crianças, onde se demonstra que as portuguesas são as que diariamente menos brincam com os pais. Só seis por cento dos nossos meninos admite brincar com os pais todos os dias, um número muito abaixo da média europeia, onde uma em cada cinco crianças tem momentos diários de divertimento com a família. Como chegámos a esta triste situação? Basta olhar em redor e compreenderemos tudo. O governo falhou na política de apoio à família e muitos dos nossos pais têm má qualidade de vida: salários baixos, empregos instáveis, maus transportes, pouco enquadramento e deficiente articulação com as escolas, como podem ter disponibilidade ou sequer desejar mais filhos? Outros não têm dificuldades financeiras de maior, mas padecem de egoísmo ou vivem na crença de que educar é uma tarefa esgotante, por isso o que importa é arranjar brinquedos para "entreter" os mais novos: já basta o trabalho para os fatigar, em casa é preciso "distrair", "desanuviar" ou "descansar". Deste modo, são bem vindos os novos brinquedos electrónicos: com a destreza das crianças de agora, depressa aprenderão como os manipular e não importunarão os adultos por largos momentos. A consola de jogos, o computador e a televisão transformaram-se assim na "baby-sitter" dos tempos modernos, a garantia de que os mais novos estarão ocupados por umas horas: com trabalhos de casa feitos à pressa e uma refeição rápida, depressa se chega à hora de deitar, amanhã correrá melhor! Mas não corre: em todo o lado vemos crianças inquietas com incapacidade de pensar, irritáveis por sono insuficiente, indisciplinadas na escola por ausência de limites em casa, com dificuldades na leitura e na escrita. Por exemplo, já experimentaram pedir a uma criança de oito anos para ler um texto em voz alta? O resultado é surpreendente: gagueja, ignora a pontuação e depressa se fatiga, porque não está habituada a ler em público, só é treinada para descodificar símbolos do "gameboy" ou da "play-station". Que saudades das crianças que brincavam na rua, que jogavam à bola na praceta ao pé de casa ou que fugiam para se divertir em casa dos vizinhos! Hoje saem da escola a correr, trazidas por pais apressados que as depositam no judo, na música, na natação ou no explicador, para mais tarde serem recolhidas à pressa, só a tempo de uma refeição apressada antes de tentarem dormir...
Que fazer? Em primeiro lugar, lutar para que tudo isto se altere. Passar a mensagem de que o jogo é a melhor maneira de as crianças aprenderem tudo: se for fornecido um contexto que permita a uma criança o relacionamento tranquilo com um adulto, ela será a primeira a aprender a importância da sua relação com os mais velhos e, movida pela sua curiosidade natural (existente em todas), esperará a brincadeira mais ou menos divertida, mas sobretudo terá a certeza que a sua fantasia crescerá. Tudo isto poderá ser feito sem brinquedos, com as mãos de pais e filhos e o corpo de todos, sem apitos electrónicos ou ecrãs tecnológicos individuais, a dificultarem a simples troca de olhar em família. E as emoções desencadeadas pelos brinquedos de hoje, quem as conhece, se depressa são descarregadas no jogo seguinte? Não podemos esquecer que educar consiste em a pessoa se oferecer como modelo. Uma pessoa fica "educada"quando cresceu e já é capaz de se constituir como um exemplo a seguir: quando um irmão imita o mais velho é porque este desempenhou um papel capaz de ser seguido (esperemos que no sentido positivo) pelo mais novo. Mais do que os livros ou revistas, que embora cruciais podem dar olhares perturbados da realidade (sobretudo se não os lermos em conjunto com os mais novos); mais do que recomendações palavrosas de pais para filhos, tantas vezes não ouvidas ou depressa esquecidas; muito mais do que o último jogo de computador, em breve substituído pelo que acaba de sair, ou consumido a correr para alcançar o objectivo de "vencer mais um obstáculo", a resposta está no olhar da criança que nos pede: "Podes brincar comigo?"

terça-feira, dezembro 04, 2007

O amor passa gerações

Clube de Contadores de Histórias
Projecto: Abrir as portas ao sonho e à reflexão
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O cestinho de romãs

inspirado numa história
tradicional portuguesa


Não havia ninguém que gostasse tanto de romãs como a avó Adelina! Gostava de as olhar, de as pôr bem no centro da mesa a enfeitar o dia, e também de as comer, de se deliciar com os seus grãozinhos doces.

Por isso, a sua amiga Miquelina lhe ofereceu, por altura do Dia de Reis, um cestinho de romãs.
A avó Adelina agradeceu-lhe muito, de olhinhos a brilhar, mas depois pensou:
"Vou dar este cestinho de romãs à minha filha Maria!"

Pegou numa folha de papel branco e fez um lindo guardanapo recortado, com o qual forrou o cestinho. Depois, foi a casa da filha. Viu que ela não estava em casa e resolveu deixar-lhe o cestinho em cima da mesa da sala de jantar. Como ela ia ficar contente! Em cima do guardanapo de papel recortado, as romãs ainda pareciam mais rainhas.

Quando a filha chegou a casa e viu as romãs, ficou admirada e logo teve uma ideia:
"Vou dar este cestinho de romãs à minha filha Aninhas!"

E se bem o pensou, melhor o fez. Levou o cestinho para casa da sua filha Aninhas, que tinha acabado de casar e ainda andava a arrumar os tarecos. Como ela ia ficar contente!

Como a filha tinha saído para comprar pão, deixou-lhe o cestinho de romãs em cima de um aparador e foi-se embora em bicos de pés, a sorrir da surpresa que lhe tinha feito.

Quando a Aninhas chegou a casa, ficou admirada e logo teve uma ideia:
"Vou dar este cestinho de romãs à minha avó Adelina!"

Ela sabia muito bem que o melhor presente que a sua avó poderia receber era, sem sombra de dúvida, um cestinho de romãs. Por isso, entrou muito sorrateira em casa da avó, que por acaso tinha deixado a porta aberta e cantarolava lá ao fundo, no quintal, e com muita cautela pôs o cestinho em cima da mesa. Depois, em bicos de pés, saiu e foi para sua casa, a sorrir da surpresa que a avó ia ter.

E foi mesmo uma surpresa! Quando a avó Adelina viu o cestinho, já seu conhecido, em cima da mesa, a enfeitar o dia e o seu coração, duas lágrimas de ternura escorreram-lhe pelas faces enrugadas. Aquelas eram as mais lindas romãs que havia em todo o mundo.



Maria Alberta Menéres
O livro de Natal
Porto, Porto Editora, 2003
Adaptação
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Caros Colegas,

Nestes tempos tão apressados, em que não há lugar para a reflexão e em que as preocupações materiais se sobrepõem ao prazer das coisas simples, a leitura de pequenas histórias, repassadas de humanidade e de beleza, pode contribuir de uma forma significativa, para um alargar de horizontes que a sociedade tem querido, por força, restringir às superficialidades e canseiras do dia-a-dia.

Da constatação deste facto, nasceu, na Escola Secundária com 3º ciclo do Ensino Básico Daniel Faria – Baltar, o Clube de Contadores de Histórias, com a finalidade de levar às diferentes turmas da referida escola histórias capazes de proporcionarem momentos de diálogo, de reflexão e de sonho, que tão necessários se tornam para a libertação de tensões e para o despertar do gosto pela leitura, da qual andam os jovens de hoje bastante alheados.

O projecto teve a adesão entusiasta de bastantes alunos, quer do Ensino Básico quer do Ensino Secundário, que se dispuseram a partilhar com os colegas a sua experiência de descoberta das pequenas histórias e do seu universo de valores. A tolerância e a generosidade, a delicadeza e a rectidão, o respeito pela Natureza, a capacidade de sonhar, são princípios que é necessário inculcar nos jovens, já que tantos se encontram à deriva numa sociedade que diz defender os direitos destes, mas que, na realidade, apenas pretende explorar as suas fragilidades com o fito do lucro. É confrangedor ver-se tantas crianças e adolescentes influenciados por programas televisivos francamente medíocres, quando se poderia optar por propostas de qualidade, capazes de promover os valores da verdadeira cultura, que é aquela que assenta no respeito por si próprio e no respeito pelos outros.

Cabe à escola tentar contrariar a vertente massificadora de certa comunicação social, incutindo nos alunos o gosto pela leitura e ajudando-os a crescer em sensibilidade. A violência na escola deve-se, em grande parte, a uma educação de natureza materialista, que tem descurado a formação do carácter em proveito de conteúdos muitas vezes estéreis. A pouca adesão dos alunos às matérias leccionadas é um sinal claro de que a escola necessita de mudanças, não no sentido das reformas educativas implementadas, quase sempre geradoras de instabilidade e de desorientação, e muito menos em nome de um economicismo que a nada leva, mas sim no sentido de promover os valores fundamentais do carácter, sem os quais nenhum ser humano poderá crescer em dignidade e em esperança: o espírito de diálogo e de solidariedade, a compaixão pelos que sofrem, a discrição e a simplicidade, em oposição ao exibicionismo tão em voga, a delicadeza e a compostura, a honestidade.

As pequenas histórias que o Clube de Contadores tem procurado divulgar no âmbito da escola, transmitem, de uma maneira simples e acessível às diferentes faixas etárias, esses mesmos valores, que um ensino de carácter demasiado informativo e tecnicista relegou para segundo plano e que uma sociedade baseada no princípio da aparência se tem encarregado de anular.

Na sequência disso, decidiu o referido Clube tornar o seu projecto extensivo não só aos professores da Escola Secundária com 3º Ciclo Daniel Faria – Baltar, mas também aos professores de outras escolas, na convicção de que as histórias partilhadas serão motivo de satisfação e de descoberta para quem as ler e ouvir, passando assim a ser enviadas por e-mail semanalmente. Gostaríamos muito que os professores que as receberem e as apreciarem procedam ao seu reencaminhamento, para que o maior número possível de pessoas venha a beneficiar com a sua leitura.

Gostaríamos também de receber as vossas opiniões sobre este projecto.

Certos do vosso melhor acolhimento



O Clube de Contadores de Histórias
contadoreshistorias@gmail.com
http://www.prof2000.pt/users/historias/

Biblioteca da Escola S/3 Daniel Faria – Baltar

quarta-feira, novembro 28, 2007

Em Reguengos, dia 5 de Dezembro de 2007

Conferência

"Vinculação e Desenvolvimento"


A sensação de estarmos seguros, porque a outro estamos afectivamente ligados, tem sido amplamente investigada nas últimas décadas, e descrita como o alicerce para um desenvolvimento saudável.

É objectivo desta conferência abordar o conceito de vinculação, mostrar como o laço que se vai construindo desde os primeiros tempos entre o bebé e os seus cuidadores se reflecte ao longo das suas vidas e, ainda, através de um caso prático, exemplificar como a Intervenção Precoce pode auxiliar no desenvolvimento de uma vinculação segura, potenciando o que acontece na relação entre prestador(es) de cuidados - criança.


Oradora convidada: Prof. Doutora Constança Machado (Univ. Évora)
Apresentação de caso: Vânia Pereira Branco (Psicóloga - PIPREM)
Local: Auditório do Parque de Feiras e Exposições de Reg. Monsaraz (Recinto da Feira)
Horário: 16 horas
Inscrições: enviar nome e serviço para piprem@gmail.com
Entrada Gratuita!

segunda-feira, novembro 26, 2007

A qualidade da interacção mãe-filho na criança com alterações neuromotoras


Susana Gabriela Moreira Costa Lima Poças, Fisioterapeuta – a exercer no Centro de Reabilitação de Paralisia Cerebral do Porto.supocas@gmail.comData: Maio de 2003


A qualidade da interacção mãe-filho, na criança com alterações neuromotoras O bebé vem ao mundo trazendo com ele capacidades imensas para estabelecer uma relação humana. Ele é, de imediato, um participante activo na formação das suas primeiras e mais importantes relações. A sua preparação social, embora extraordinária, é obviamente imatura. No entanto, a noção de imaturidade tem em si um peso excessivo que nos bloqueia. O rótulo “imaturo” não pode servir como luz verde para pormos de lado um comportamento, até que chegue a sua versão de maior maturidade; nem pode ser um convite para focarmos o próprio processo de desenvolvimento – a misteriosa série de transformações até à maturidade. Em última análise, cada ser humano é simplesmente aquilo que é, no momento em que o encontramos. (1) A primeira revelação que o bebé tem do mundo humano consiste simplesmente em tudo quanto a sua mãe faça de facto com o rosto, voz corpo e mãos. O decorrer contínuo dos seus actos fornece ao bebé o princípio da sua experiência com o material da comunicação e das ligações humanas. Esta coreografia de comportamento maternal, é a matéria – prima do mundo exterior com a qual o bebé começa a construir o seu conhecimento e a experiência de tudo o que é humano: a presença humana, o rosto e voz humanos, as suas formas e modificações, as expressões, as unidades e significado dos comportamentos, a relação entre o seu próprio comportamento e o de outra pessoa. (1) Em 1990, Barnard e Kelly definiram a interacção como uma dança adaptativa mútua, que pressupõe quatro características: (2)• Repertório de comportamentos de cada elemento da díade: da mãe destaca-se a capacidade para interpretar os sinais do bebé, bem como comportamentos de envolvimento e estimulação; da criança esperam-se competências sociais (ouvir, olhar, atenção visual da mãe, adaptação corporal ao movimento) e ainda regularidade e previsibilidade nas respostas.• Contingência da resposta por parte de ambos os elementos da díade.• Riqueza das interacções avaliada, segundo os autores, pelo aumento de tempo, diversidade de brinquedos e actividades que a mãe dedica à criança.• Mudança dos padrões adaptativos em função do desenvolvimento da criança. Segundo Daniel Stern, (1) a mãe durante as interacções com o seu bebé, raramente ou nunca utiliza o quadro completo de expressões humanas que conhece. Só um número limitado de expressões é necessário neste período de desenvolvimento para regular o fluir normal da interacção, e para delinear os pontos principais desse fluir. O conjunto de sinais mais básico para este propósito consiste em exibições para iniciar, manter, modular, terminar e evitar uma interacção social. Para iniciar ou dar sinal de vontade ou de convite para interacção: a expressão de fingida surpresa serve esta função. Parece-se com uma caricatura de uma reacção de surpresa ou de orientação e tem muito de comum com os comportamentos universais raciais de saudações descritos por Irennus, Eibl-Eibesfeldt e por Rendon e Ferber. Nalguns tipos de interacções no brincar, é a expressão mais comum. A manutenção e modulação de uma interacção em progresso: o sorriso e a expressão de preocupação servem estas funções. O sorriso é um potente sinal afirmativo, não só de que a interacção se está a passar, mas também de que se está a processar positivamente. A expressão de preocupação é também observada quando a interacção se processa negativamente, manifestada pelo choro, portanto a resultar mal. É uma tentativa clara, e talvez um sinal das intenções da mãe para tornar a focar, tornar a prender e assim manter a interacção. A terminação da interacção: a careta com desviar da cabeça e o quebrar do olhar é um sinal para parar, pelo menos de momento, uma intenção que já não está a resultar para o bebé, para a mãe ou para ambos. A terminação pode, é claro, ser momentânea, e ser seguida de um sinal para reiniciar a interacção, recomeçando-a doutro modo. O evitar uma interacção social: um rosto neutro ou sem expressão, mudo, especialmente com o evitar do olhar, é um sinal claro de falta de vontade ou de falta de intenção para estabelecer contacto activo. Todas estas expressões que a mãe utiliza variam de indivíduo para indivíduo, assumindo graus de duração e intensidade diferentes. O primeiro encontro entre a mãe e o bebé é marcado pelo olhar, sendo talvez a mais versátil das respostas interactivas. Os seus ciclos de actuação podem ser extremamente rápidos e funcionam tanto para receber como para enviar informação. (3) Os primeiros anos de vida representam um período dinâmico, durante o qual a maturação dos diferentes sistemas do organismo e a interacção ambiental desempenham um papel de extrema importância no processo de desenvolvimento da criança. As alterações motoras que afectam os sistemas sensório-motores vão influenciar significativamente este processo. (4) O nascimento de uma criança deficiente traz aos pais um grande stress emocional, podendo por isso provocar alterações no seu comportamento, fazendo assim com que as experiências de interacção com um bebé que tenha alterações neuromotoras sejam diferentes das interacções com um bebé saudável. Se existirem poucas oportunidades para interacções recíprocas e, consequentemente, poucas oportunidades para aprender, poderá haver défices no futuro desenvolvimento da criança. Por outro lado, as perturbações na interacção diádica mãe-criança, podem advir das condições patológicas da criança que a impossibilitam muitas vezes de comunicar. Almiral refere quatro défices que podem influenciar gravemente a interacção com estas crianças: (4)• A capacidade reduzida para interagir e explorar o meio.• A capacidade reduzida para jogar e interagir com outras pessoas através de movimentos e vocalizações para estimular a retroacção vocal dos outros.• A dificuldade para expressar emoções, necessidades e pensamentos e para trocar informações com os outros.• A dificuldade para controlar os mecanismos de comunicação normal (fala e movimentos motores finos)Bebés com alterações neuromotoras têm alterações da postura e do movimento, o que condiciona a interacção com o seu meio ambiente. Por um lado as alterações posturais nem sempre permitem o contacto facial necessário à interacção comunicativa como também, essas limitações de padrões de movimento podem afectar negativamente a interpretação das mães quanto às capacidades interactivas dos seus filhos. Um dos objectivos da intervenção terapêutica em crianças com alterações neuromotoras e com as suas famílias, nomeadamente as mães é, assim, facilitar a interacção mãe-filho.


BIBLIOGRAFIA1. Stern D., Bebé-mãe : primeira relação humana. 1ª ed. : Moraes Editores; 19772. Barnard K. E., Kelly J. F., Assessment of parent – child interaccion. In Meisels S. J. & Shonkoff J. P. Eds, Handbook of Early Childhood Intervencion . New York. Cambridge University; 19903. Shaffer H. R., Interacción y socialización. Aprendizaje Visor; 19894. Marques M.R., Comunicação e linguagem na interacção entre mãe e criança com paralisia cerebral aos 2 anos de idade. Estudo exploratório, 1998


Trissomia 21: Novos Avanços

6 - 7 Dezembro 2007
Fundação Calouste Gulbenkian Auditório 2
Lisboa PORTUGAL

Enquanto Presidente da Associação Portuguesa de Portadores de Trissomia 21 (APPT21), venho por este meio convidar todos os interessados a visitar a nossa linda cidade de Lisboa e a participar no nosso Congresso anual sobre Trissomia 21.
O Programa definido pela APPT21 em conjunto com o Centro de Desenvolvimento Infantil Diferenças tem como principal objectivo discutir as últimas investigações e desenvolvimentos na área da intervenção médica, educativa e social nos indivíduos com Trissomia 21.
Desde 1992, que a APPT21 tem estado empenhada na concepção e implementação de vários Programas de Intervenção com o intuito de promover várias áreas fundamentais do desenvolvimento: competências motoras; linguagem e fala; competências de literacia; consciência fonológica; competências numéricas; memória de trabalho; competências sociais e funcionamento independente e transição para o emprego e vida activa.
Este ano, temos o prazer de ter connosco quatro importantes nomes internacionais, reconhecidos especialistas na área da Trissomia 21.
A Professora Sue Buckley e o Professor Ben Sacks, dois nomes importantes ligados à educação e ao desenvolvimento cognitivo de indivíduos com Trissomia 21, envolvidos desde os anos 80 nas investigações mais relevantes nesta área.
Dr. Siegfried Pueschel, de entre as suas várias habilitações universitárias, destacamos a investigação e formação na área da intervenção médica e defesa dos direitos dos indivíduos com Trissomia 21.
A Drª Liz Marder, é pediatra e é actualmente a responsável pelo Grupo Médico de Investigação em Síndrome de Down e consultora na área da medicina na Associação Inglesa de Sindroma de Down. A Drª Liz Marder tem trabalhado de perto com a Drª Jennifer Dennis na área do desenvolvimento de orientações médicas e Síndrome de Down.
Haverá tradução em simultâneo para Português.
Sejam bem vindos
Teresa Palha

PROGRAMA DETALHADO:http://www.nasturtium.com.pt/detalhes_f.php?id=26
SECRETARIADO:
NASTURTIUM
Educação, Saúde e Bem-Estar
www.nasturtium.com.pt
geral@nasturtium.com.pt
+351960016880
INSCRIÇÃO:
40€ até 30 de Novembro
55€ depois 30 de Novembro
Inscrição on-line WWW.NASTURTIUM.COM.PT

sexta-feira, novembro 23, 2007

Auto-estima Não é Narcisismo




Encantarmo-nos connosco próprios não só é normal como desejável. Mas ter fantasias de grandeza e omnipotência revela que, no fundo, há em nós uma grande falta de amor.
Capazes de aguentar e produzir o que quer que seja, de orientar, apoiar e satisfazer toda a gente, os narcisistas orgulham-se da sua força e dureza. Com muita necessidade de serem admirados, controlar tudo e todos e continuamente empenhados em obter gratificações, esforçam-se por ter uma vida respeitável no campo profissional e no sentimental.
Mas, como muitas vezes não têm consciência de um certo vazio que os habita, tudo lhes sabe a pouco. E quase sempre estão insatisfeitos.
Dizem os entendidos que, com frequência, se trata de pessoas interiormente desamparadas e frágeis que, não se tendo sentido amadas durante a infância, sem disso se aperceberem passaram a achar-se não merecedoras de afecto. E, ao caminharem pela vida fora, a nível inconsciente procuram defender-se dessa sensação de frustração relacionando-se com pessoas poderosas, fortes, eficientes, ricas, que de uma forma ou de outra se destacam, são respeitadas e admiradas. Entretanto, esquecem-se de que a única coisa que verdadeiramente lhes falta é amor.

Amor com amor se paga

Mágoas profundas, traições de amor precoces, quem não as teve? Há porem, casos em que, desde criança, esse sofrimento foi de tal maneira controlado que apenas conseguimos valorizar-nos à superfície de nós mesmos. Não ao nível da nossa essência. E, então, não há em nós suficiente disponibilidade para nos relacionarmos com os outros numa base que não seja a do poder. A do pragmatismo -que, por vezes, subtilmente resvala para o oportunismo. Talvez, desde crianças, tenhamos aprendido a chamar a atenção dos outros e a conseguir afecto através de atributos como, por exemplo, a inteligência ou a beleza. E, usando-os para conseguir que os outros nos admirem, fomo-nos habituando a encará-los como a única defesa contra a dolorosa sensação de não ser mos amados. Poderemos, nesses tempos longínquos, ter ocupado uma posição marcante na família, por exemplo sendo o filho mais bem dotado, do qual se espera que realize as aspirações familiares e a quem teria sido atribuído precisamente esse papel. Natural é, por isso, que tenhamos sido excessivamente estimulados nesse senti do sem que, ao mesmo tempo, tenha havido alguém próximo disponível para nos acarinhar ou apoiar. Aprendemos, assim, naturalmente a controlar as emoções e a investir as nossas energias numa imagem pública idealizada, com a qual nos identificamos e que nos vai levando a endeusar tudo o que represente poder

Investir na imagem
Envolvidos num manto de superioridade mas com as suas fragilidades anestesiadas, os narcisistas aparecem aos outros como se nada temessem.
Vivem, no entanto, dependentes de uma fachada. E, de olhos fechados para a realidade do que são, vão caindo num saco sem fundo, para onde arrastam os muitos outros que facilmente atraem. Cheios de charme, sedutores, agradáveis, simpáticos e inteligentes, hábeis na aproximação física e no relacionamento sexual, é fácil aparecerem-nos como capazes de corresponder aos nossos sonhos - sobretudo se tivermos sonhos de grandeza. Capazes de nos dar a ilusão de um amor que, no entanto, não passa de utopia.
E, nos momentos em que estão no ponto mais alto do seu impulso, parecem, de facto, vibrar. Acontece porém que, ao olharem para nós, não é como pessoas reais que nos vêem, mas sim como imagens -que admiram ou não. Objectos capazes de dar -ou não -corpo a um sonho. No fundo, só estão interessados pelo que lhes falta. Preocupam-se tanto consigo mesmos que não se apercebem das necessidades dos outros.

Do Sonho à Realidade
Os Narcisistas não amam. Manipulam. Nada de real dão, por isso, àqueles com quem se relacionam. Podem, sim – e, sem dúvida, não são poucos – levá-los a que se encontrem com o vazio que em si mesmos também existe. Muitos são os que mantêm casamentos que, embora sendo apenas de fachada, conseguem resistir à erosão do tempo. Só que no dia em que o império se desmorona, àquilo que foi vivido com paixão segue-se o desapontamento. O desfazer de algo que, passado o seu tempo de glória, até parece que nunca existiu.
Pródigos também em casos sentimentais rápidos – com pessoas atraentes e bem dotadas, mas de quem mantêm sempre uma certa distância -, os narcisistas têm dificuldade em aguentar uma relação baseada em trocas afectivas reais.

Por Maria José Costa Félix em Revista Xis de 22 de Outubro de 2005

terça-feira, novembro 20, 2007

A boneca

— Não leves sempre essa boneca suja contigo para a cama — disse a mãe de Eva.
— A minha Anita não é nenhuma boneca suja. — respondeu Eva —A minha Anita é muito querida.
— Mas está muito feia — continuou a mãe. — Olha só para a cara e para os cabelos dela!
Quando se olha para a boneca Anita, assim, sem se gostar dela, tem de se admitir. Bonita, não é. As bochechas estão cinzentas e a esboroar-se de tantos beijos e tantas lavagens. Já não tem propriamente um nariz, apenas uma saliência suja, e dos cabelos castanhos já só ficou um pequeno tufo de cabelos ralos.
Isto não incomodava Eva, mas a mãe dizia-lhe constantemente:
— Não queres pedir uma boneca nova pelo Natal? — perguntava-lhe.
Eva apertava a Anita contra si e dizia:
— Não!
— Tenho outra ideia — disse a mãe. — Vamos levar a Anita a um hospital de bonecas e lá põem-lhe cabelo novo e outro nariz.
Eva defendia-se. Não queria entregar a Anita.
Mas, certo dia, Alex, o irmão mais velho, disse uma coisa feia, uma coisa muito má. Disse:
— A tua boneca é um careca tinhoso!
Eva desatou a chorar. Depois, observou a sua Anita pela primeira vez com olhos de ver. Era verdade! A cara da Anita estava cheia de nódoas e a descamar-se, e quase totalmente careca.
Eva correu para a mãe.
— Achas — disse a soluçar — que no hospital das bonecas vão ser bons para a minha Anita?
— Mas claro que sim! — sossegou-a a mãe.
— Então… Por mim, podes levá-la…
Logo na manhã seguinte, a mãe foi ao hospital das bonecas. Era o único na cidade, pois já não havia muita gente que mandasse consertar bonecas.
No hospital das bonecas, um homem examinou a Anita.
— Tem pouco que se aproveite. Precisa de uma cabeça nova, e os braços e as pernas também deviam ser substituídos.
Apresentou à mãe diversas cabeças de bonecas, mas não havia nenhuma que fosse igual à da Anita.
— Além disso — continuou o homem — a reparação custa mais do que uma boneca nova.
A mãe de Eva procurou em todas as lojas de brinquedos uma boneca que, pelo menos, fosse mais ou menos semelhante à antiga Anita. Acabou por comprar uma do mesmo tamanho e com os mesmos cabelos castanhos. No resto, a nova boneca era um pouco diferente, mas encantadora, e tinha uma cara que se podia lavar com água.
Quando chegou a casa com as duas Anitas, a nova e a velha, Eva ainda estava no infantário. Mas Alex já tinha vindo da escola e descobriu a caixa no cesto de compras da mãe.
— Aha! — disse. — Compras de Natal!
— Uma boneca nova para a Eva — respondeu a mãe. — Mas ela não pode saber. Tem de pensar que é a sua Anita.
— Aha! — disse Alex. — Mentiras de Natal!
— Não sejas atrevido — disse a mãe. — É o melhor para a Eva.
— Deixa-a lá ficar com o careca tinhoso — disse Alex.
A mãe arrumou a caixa com a nova boneca no armário da roupa.
— Estou contente por nos vermos finalmente livres daquela coisa tão estragada.
Atirou a Alex o saco de plástico com a antiga boneca.
— Toma — disse. — Mete-a no contentor do lixo, mas lá para o fundo.
Alex pegou na boneca e saiu do quarto a assobiar baixinho.
Desde que a Anita desaparecera, Eva perguntava por ela todos os dias.
— A minha Anita ainda está no hospital? O homem é simpático com ela? Ela não tem saudades? Vou mesmo voltar a tê-la pelo Natal?
E a mãe respondia sempre:
— Sim, Eva. Com certeza, Eva. Não te preocupes, Eva.
Para a noite de Natal, a mãe de Eva vestiu à nova boneca o vestido da Anita e pô-la debaixo da árvore. Com o vestido vermelho, achava a mãe, ficava mesmo parecida com a Anita.
Mas, quando estendeu a boneca a Eva e disse:
— Ora vê como ficou linda a tua Anita! — Eva não aceitou e cruzou as mãos atrás das costas.
— Não! — gritou. — Essa não é a minha Anita!
E olhava decepcionada para a nova boneca:
— Eu quero a minha Anita… a minha Anita! — e começou a chorar baixinho sem parar.
A mãe não contara com isto e tentou consolar Eva. Mostrava-lhe outras prendas, levava-a à árvore de Natal, mas Eva mantinha os olhos baixos. Não queria ouvir nada nem ver prenda nenhuma.
— Anita! — queixava-se a menina. — Onde puseram a minha Anita?
Disse então Alex:
— Se ela não receber de volta a careca tinhosa, vai estragar-nos a festa de Natal.
— Mas… — balbuciou a mãe — tu deitaste…
— Achas? — perguntou Alex.
Correu ao quarto e regressou com um saco de plástico que meteu nas mãos de Eva.
— Anita! — gritou Eva, tirando do saco a velha boneca careca.
Alex sorria.
— E o que vais fazer agora à boneca nova?
— Esta? — perguntou Eva. — Vou dá-la a uma menina que eu não conheça.
— A uma menina… — repetiu Alex. — Ah, claro. Ela não pode ficar a saber que tens uma boneca careca fantástica!

Clube de Contadores de Histórias
Projecto: Abrir as portas ao sonho e à reflexão

Tradução e adaptação
Tilde Michels
Anne Braun (org.)
Weihnachtsgeschichten
Würzburg, Arena Verlag, 1991

segunda-feira, novembro 19, 2007

Medo na infância


Se existe uma fase do desenvolvimento infantil em que é normal a criança demonstrar medo (do escuro, de animais, etc.), o grau em que este se vai manifestando na sua vida diária depende da forma como os adultos mostram e explicam (ou deixam por explicar) o mundo à criança.


Por exemplo, existem pais que vêem perigo em tudo o que rodeia a criança e que esta não pode mexer um braço ou uma perna que eles já estão a gritar "Cuidado!". Esta forma de agir mostra à criança que o mundo é um local inseguro e ameaçador.


Por outro lado, existem pais que não deixam a criança experimentar a sua autonomia, que lhe dizem que ela não deve, não pode e/ou não sabe fazer. Com esta atitude retiram-lhe todo o prazer de descobrir novas situações, novos objectos, novos comportamentos, e transmitem-lhe que ela não é capaz de realizar nada como deve ser. Já não é o mundo que é um local ameaçador, a criança é que é incapaz de lidar com ele.


A última forma de agir tem danos maiores para a auto-estima, mais directos e rápidos, enquanto que a primeira bloqueia o desenvolvimento da criança e a exploração que esta faz do mundo, sendo consequentemente afectada a sua auto-estima, mas por falta de experimentação.


Também a falta de explicação sobre a forma como o mundo funciona pode deixar a criança insegura, pois não consegue descodificar todas as mensagens complexas que vê e ouve no seu dia a dia.


A transmissão de conhecimentos coerentes e verdadeiros sobre o mundo envolvente ajuda a criança a compreender o mundo em que vive, e, consequentemente, a ganhar segurança para lidar com ele, propicia o desenvolvimento da auto-estima, da auto-confiança e do auto-conceito.


Na internet existem diversos artigos sobre este tema, entre os quais gostaria de destacar o seguinte link:

sexta-feira, novembro 16, 2007

O Cantinho da Leitura

Os Medos das CriançasMedos, angústias, fobias na criança e no adolescente de Béatrice Copper-Royer

Editor: Caleidoscópio
Sinopse
De uma forma séria a autora aborda os diferentes tipos de medo (terrores nocturnos e pesadelos, o medo do escuro ou dos monstros imaginários, por exemplo), as fobias e as angústias, tanto em crianças pequenas como nos adolescentes. O livro apresenta diversos casos reais com que a autora se deparou na sua prática de consulta psicológica, com o objectivo de se poder distinguir entre um medo considerado “normal” e uma fobia ou um medo patológico.
Excerto da obra“Nem todos os medos são nocivos e invalidantes. Existem alguns que são úteis, ajudando a criança a construir-se e a desenvolver-se harmoniosamente: sem o seu medo, a criança poria a mão no fogo, treparia à varanda, iria com qualquer estranho… No entanto, o medo faz parte das emoções que os pais não gostam de descobrir no seu filho, sobretudo na nossa época em que, adulado, este deve ser “perfeito".

Ajude o seu Filho a Passar do Não ao Sim de Barbara Unell, Jerry Wyckoff

Editor: Verso da Kapa

Sinopse
Os pais encontrarão neste livro formas práticas e simples de fazer com que os filhos passem a dizer SIM mais vezes. Ao compreenderem a razão pela qual as crianças dizem NÃO, os pais passam a saber lidar com as várias situações do dia-a-dia sem necessitarem de estar sempre a ralhar, subornar ou ameaçar. Todos os capítulos contêm dicas úteis destinadas a ajudar os pais sempre que os conflitos surjam. Os capítulos abordam, entre muitas outras, as seguintes situações potencialmente problemáticas: «Não, eu não quero dar a mão!» «Não, eu não quero vestir-me!» «Não, eu não quero comer isto!» «Não, eu não quero emprestar os meus brinquedos!» «Não, eu não quero pentear-me!» «Não, eu não quero ir para a escola!» «Não, eu não quero ir para a cama!» «Não, eu não quero tomar o remédio!» «Este guia é uma ajuda para lidar com as crianças em idade pré-escolar. Os conselhos são claros, sensíveis e extremamente fáceis de seguir.»

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Sono: hábitos e xi-corações para o rumo à independência

Hábitos

A maneira como o seu filho adormece é determinante para a forma como ele vai voltar a dormir quando acorda a meio da noite. É importante pensar nisto enquanto está a conhecer o seu novo bebé, mas tenha em mente que não existem regras absolutas ou receitas mágicas sobre o sono dos bebés.

Sobretudo, nenhuma regra serve para todos os bebés. Há bebés que gostam de adormecer ao colo, outros enquanto mamam. O importante é perceber que, por exemplo, se adormecer o seu bebé ao colo, aninhado a si, quando ele acordar a meio da noite e verificar que está sozinho no berço, vai chorar seguramente. Porque não sabe onde está a mãe.

Muito provavelmente, só voltará a dormir se pegar nele ao colo. Alguns especialistas em sono pediátrico como a norte-americana Elisabeth Pantley (ver «Soluções para noites sem choro») aconselham a que se deite o bebé no berço antes que ele durma completamente.

Quer ele adormeça ao colo ou a mamar. «Entenda que esses hábitos bonitos, tranquilos e de amizade são dificílimos de romper, por isso, escolha-os com cuidado», escreve Pantley.


Independência

Quando dormirá sozinho, a noite inteira, sem chamar por ninguém? É a grande questão. Atingir a maturidade do sono é um processo biológico. Elisabeth Pantley sugere que os pais tentem fazer perceber ao bebé que o berço é um lugar seguro e confortável.

Depois podem oferecer-lhe um objecto que transmita segurança e incentivá-lo a dormir com ele. Estabeleça uma rotina diária a e siga-a. Definir hábitos de sono diurnos e nocturnos (diferencie-os claramente), proporcionando momentos agradáveis à hora de dormir vão ajudar a criança a dormir sozinha e a sentir-se segura.

A altura em que esta evolução deverá ter lugar depende de bebé para bebé, de família para família. Não force o seu filho a tornar-se independente se vê que ele ainda não está preparado.
Vá preparando terreno, mas não o apresse. No caso de a criança dormir com os pais, a autonomia pode levar mais algum tempo (meses ou mesmo anos), mas, diz quem já passou por isso, que também é mais suave.

A mudança ocorre quando a criança sente que está preparada e não por imposição. Por essa razão, muitas crianças que dormem com os pais instalam-se definitivamente no seu quarto de um dia para o outro.


Xi-coração

Não tenha medo de estragar o seu filho com mimos. Abraços, beijinhos e festas nunca são demais. As crianças precisam tanto de contacto físico como de pão para a boca. O toque é fundamental quando os bebés acordam a meio da noite. Fazer-lhes uma festa e aconchegá-los carinhosamente dá-lhes segurança e conforto. Tudo o que precisam para voltarem a adormecer tranquilamente.

quarta-feira, novembro 14, 2007

A educação para e na infância

No âmbito das práticas do ensino e educação para a infância, as crianças até aos 6 anos de idade constituem uma faixa etária muito importante, quer devido ao período sensível do processo de maturação biológica por que passam, quer pelo desenvolvimento psicomotor que acontece nesta fase.

Quando a criança alcança os 4 anos de idade já possui cerca de 90% da massa cerebral do adulto. A plasticidade das estruturas cerebrais encontra-se no seu pico nos primeiros anos de vida, evoluindo o cérebro de quantidade para qualidade, ou seja, os circuitos formados por neurónios disponíveis para serem “programados” vão diminuindo, visto que o ser humano está delineado geneticamente para a eliminação de neurónios menos adequados e sinapses.

É assente nesta evidência científica que o PIPREM – Projecto de Intervenção Precoce de Reguengos de Monsaraz e Núcleo de Mourão, com sede na Santa Casa da Misericórdia de Reguengos de Monsaraz, tem vindo a trabalhar nos seus quase quatro anos de existência, para uma melhor adequação entre as respostas oferecidas pelos meios familiar, educativo e comunitário e as necessidades das crianças dos 0 aos 6 anos de idade dos concelhos de Reguengos de Monsaraz e Mourão, visto que apesar de potenciado organicamente, pouco acontece na criança, em termos de desenvolvimento e aprendizagem, se o meio em que ela se insere não se esforçar por desempenhar um papel activo.

Este trabalho de adequação tem sido feito, essencialmente, de duas formas: por um lado, tem existido uma sensibilização das famílias para a importância de integrar as suas crianças na creche e/ou jardim de infância, visto que estes contextos oferecem, junto de outras crianças, experiências únicas e fundamentais para a aquisição de competências motoras, cognitivas, afectivas, sociais e de relação; por outro lado, os técnicos do PIPREM, frequentemente no domicílio das próprias, têm vindo a capacitar as famílias a responder física, afectiva e educativamente de um modo mais activo, levando-as a perceber o tempo das crianças como um tempo precioso, que não deve ser ignorado, desvalorizado e/ou desperdiçado, sem esquecer que a família é o primeiro espaço de aprendizagem do ser humano, e é com e no seio dela que a criança aprende a andar, falar, brincar, cantar e interagir. Em suma, a pensar o mundo e a pensar-se a si mesma na interacção com o mundo.

Porque quando falamos de desenvolvimento infantil não há tempo a perder, devemos nos esforçar enquanto comunidade para proporcionar espaços e tempos de aprendizagem, na escola, na família e fora delas, estimulantes na diversão, na brincadeira e na novidade, para uma maior e melhor capacidade intelectual, social, afectiva e imaginativa das nossas crianças.

Publicado originalmente no Caderno Especial sobre Educação do Jornal A Palavra de 13 de Novembro de 2007
http://www.portaldereguengos.com

O PIPREM deixa aqui alguns contacto úteis

Número Nacional de Socorro- 112
SOS Grávida- 21 395 21 43
SOS Criança- 21 793 16 17 (Dias úteis)
Intoxicações- 21 795 01 43
Serviço de Informação a Vítimas de Violência Doméstica- 800 20 21 48
Linha de Emergência da Criança Maltratada - 21 343 33 33
Linha Verde Recados da Criança - Recepção e Encaminhamento pelo Provedor de Justiça - 800 20 66 56
Associação para o Planeamento da Família- 21 385 39 93
Saúde 24 (Serviço Orientação Pediatria) - 808 242 400

segunda-feira, novembro 05, 2007

VI Congresso Nacional de Intervenção Precoce

A ANIP - Associação Nacional de Intervenção Precoce realiza o VI Congresso Nacional de Intervenção Precoce, dedicado a "Intervenção Precoce em Grupos Específicos: Deficiência Auditiva, Visual e Hipercatividade - Diagnóstico, intervenção e envolvimento da família". O congresso terá lugar no Auditório da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, nos dias 8 e 9 de Novembro. No evento estarão presentes Carol M. Trivette - doutorada em Desenvolvimento da Criança e Relações Familiares, investigadora e directora do Orelena Hawks do Puckett Intitute, nos EUA - e Marilyn Espe-Sherwindt - doutorada em Educação Especial e directora do Family Child Learning Center, também dos EUA.

Informações
Tel: 239 483 288
E-mail: amp.sede@mail.telepac.pt

terça-feira, outubro 23, 2007

Fórum dos Pais

Uma escola para os pais…
À conversa com especialistas...
...onde se falará de alguns problemas de aprendizagem ou comportamento - dislexia, desatenção, desmotivação, ansiedade, etc, de cuidados e exercícios aconselháveis e de todas as questões que queiram esclarecer.

Última quinta-feira de cada mês, das 19h às 20h.
Começa 25/10/07 .
Traga amigos, professores e explicadores também interessados em saber mais sobre estes temas.

Confirme a sua presença: 10€ (com direito a trazer convidado).

Parque Industrial e Tecnológico
Rua da Agricultura, 177005-340 Évora
266 734 076 ou 933 558 700

segunda-feira, outubro 15, 2007

O MÉTODO MÃE CANGURU




O "método mãe canguru" foi desenvolvido na Colômbia, a partir da década de 70, motivado pela escassez de recursos do sistema vigente na ocasião .
A simplicidade do método aliada a seu baixo custo foram suficientes para que o êxito fosse reconhecido. O "método mãe canguru" consiste na manutenção de um contato íntimo entre a mãe e o recém-nascido pré-termo por períodos prolongados de tempo. Normalmente, os recém-nascidos são liberados para o método após a primeira semana de vida, ao atingirem condições clínicas estáveis, principalmente sob os pontos de vista respiratório e hemodinâmico, independente d idade gestacional e do peso de nascimento; exceção deve ser feita ao recém-nascido pré-termo extremo.


Dentre as vantagens do "método mãe canguru" destacam-se:
. colonização do recém-nascido com a flora da própria mãe, diminuindo o risco de infecção nosocomial;
. aceleração da velocidade de crescimento;
. melhora da termorregulação;
. melhora do padrão respiratório;
. diminuição do consumo de O2;
. diminuição dos episódio de apnéia e de respiração periódica;
. melhora no desenvolvimento neuropsicomotor do recém-nascido; e
. estabelecimento de melhor vínculo afetivo entre mãe e o recém-nascido, com conseqüente aumento da lactação e prolongamento do aleitamento.
Pelo exposto, o "método mãe canguru" foi inicialmente idealizado para ser aplicado a recém-nascidos pré-termo estáveis, já em fase de recuperação, e não tão pequenos e/ ou imaturos. Posteriormente, pela avaliação positiva dos estudos, o "método mãe canguru" foi expandido, sendo utilizado em recém-nascidos pré-termo menores e com certo grau de instabilidade.
Outro fato que merece ser salientado diz respeito à melhora do vínculo mãe-filho, pois em recém-nascidos pré-termo doentes, submetidos a procedimentos invasivos, este vínculo é enfraquecido; na fase de estabilização é importantíssimo seu restabelecimento, podendo o "método mãe-canguru" auxiliar muito nesta situação.
Estudos devem ser conduzidos no sentido de se avaliar a segurança, a tolerabilidade e as vantagens do "método mãe canguru" já nos primeiros dias de vida, principalmente em recém-nascidos pré-termo instáveis, para que a sua rotina seja implantada com sucesso em tais situações.


para mais informações vai ao site:

quarta-feira, outubro 10, 2007

"Síndrome de Asperger: Do diagnóstico à intervenção".

Realiza-se de 12 a 14 de Novembro a reunião "Síndrome de Asperger: Do diagnóstico à intervenção", organizado pela Sociedade Científica Síndrome de Asperger, que conta com os principais especialistas em desenvolvimento e intervenção.
A primeira reunião da Sociedade Cientifica Sindrome de Asperger propõe três dias de intenso trabalho e discussão sobre o diagnóstico diferencial de Sindrome de Asperger e sobre o modelo de intervenção proposto por uma vasta equipa de técnicos de ensino especial e reabilitação e psicologia clínica e educacional.
O primeiro dia é dedicado à discussão dos critérios classificativos, ao diagnóstico diferencial e à apreciação da comorbilidade. Pediatras do Desenvolvimento partilham as suas ideias e experiências sobre os critérios classificativos e sobre a comorbilidade com outras perturbações do desenvolvimento.
O segundo e terceiro dias são dedicados à apresentação dos Programas estruturados. São apresentados por uma vasta equipa à muito dedicada ao desenvolvimento de programas de intervenção baseados nas competências dos individuos com Sindrome de asperger.
Serão apresentados Programas dedicados à promoção das competências académicas, da autonomia e das competências sociais.
Para mais informações, poderão consultar o programa detalhado e outras informações em
http://www.nasturtium.com.pt/detalhes_f.php?id=28
.

segunda-feira, outubro 08, 2007

SER CRIANÇA

"Ser criança é acreditar que tudo é possível.
É ser inesquecivelmente feliz com muito pouco
É se tornar gigante diante de gigantescos pequenos obstáculos
Ser criança é fazer amigos antes mesmo de saber o nome deles.
É conseguir perdoar muito mais fácil do que brigar.
Ser criança é ter o dia mais feliz da vida, todos os dias.
Ser criança é o que a gente nunca deveria deixar de ser."
(Gilberto dos Reis)

domingo, outubro 07, 2007

Do prazer de brincar ao prazer de aprender

Algumas ideias que nos ajudam a perceber as brincadeiras das crianças de outra forma...

Existe uma relação estreita entre o brincar e a aprendizagem. Se no passado estes termos eram dicotômicos e se contradiziam, no mundo contemporâneo se entrelaçam.Nos dias de hoje. onde as exigências cognitivas são precoces, a criança perde o espaço do brincar para o espaço da aprendizagem interfererindo na dinâmica natural do desenvolvimento psicológico da criança.
- Como acontece a transição do prazer do brincar para o prazer de aprender?
- Por que a criança brinca?
- Aprender o quê ?

A criança brinca para compreender o mundo, brinca para se compreender no mundo na interação com os outros.

- O que é brincar?
O brincar é viver, é o prazer da ação, é a vivência da dimensão psíquica nas relações da criança com o mundo. Ao brincar a criança vive o prazer de agir simultaneamente com o prazer de projetar-se no mundo em uma dinâmica interna que promove a evolução e a maturação psicomotora e psicológica da criança.

O brincar se apropria de fantasmáticas inconscientes por meio da ação. Através da observação do brincar da criança podemos avaliar a dimensão inconsciente da criança que auxilia a compreensão da evolução do sujeito.

De O a 3 anos de idade a criança brinca buscando o prazer de construir e desconstruir. Esta vontade de agir não pode ser considerada, neste momento, como um reflexo de agressividade porque esta forma de brincar transita em uma dimensão inconsciente.

A criança demonstra neste período o prazer de ficar em pé: rolar, balançar e cair. Trata-se de uma percepção rítmica ligada à construção e desconstrução que é anterior à percepção espacial. Nesta fase também apresenta o prazer de ser envolvida ao brincar no meio de tecidos: encaixar-se, esconder e ser descoberta, perseguida sem ser pega. Poderá também demonstrar interesse ao identificar-se com agressores que causam medo. Demonstra prazer em reunir e separar, entrar e sair e encher e esvaziar.

Estas brincadeiras de O a 3 anos descritas acima defino como BRINCADEIRAS DE REASSEGURAMENTO PROFUNDO que podem perdurar até um pouco mais de 3 anos. Porque fazem referência aos primeiros contatos humanos que põem em evidência a relação da criança com seus pais.

A partir dos 3 anos inicia-se a fase de identificação nas formas do brincar que identifico como JOGO DE REASSEGURAMENTO SUPERFICIAL a criança começa então a discriminar o masculino do feminino e criar personagens onipotentes que transitam em uma dimensão ilusória para desenvolver a ação em um universo ainda incompreensível. Neste momento a criança vivência na interação com o outro a ação e a ilusão do ser, dando aos poucos a forma de si própria como sujeito.

Através do processo de identificação e da interação com o outro a criança aprende a realizar um distanciamento emocional ao expressar conteúdos psicológicos por meio de objetos, percurso este. importante a ser vivenciado pela criança que através de personagens pode expressar seus medos e angústias proporcionando com esta experiência um conforto emocional.

- O que é Reasseguramento?
Reasseguramento é o resultado de uma dinâmica de prazer que permite à criança atenuar suas angústias interiores como: o medo de ser destruída (sentimento que é presente desde os primeiros meses de vida), o medo de ser agredida, de ser abandonada e de ser castrada.

A dimensão simbólica da criança começa a ser desenvolvida desde os primeiros momentos da vida da criança. O bebê procura os braços da mãe e se assegura no abraço. A partir do momento que a mãe oferece um paninho ou um objeto a criança transfere na interação com este objeto a sensação de prazer do carinho da mãe vivenciado anteriormente. Desta forma, aprende a buscar forma de prazer simbolicamente.

Os distúrbios no desenvolvimento da aprendizagem estão intimamente ligados a falta de asseguramento. A angústia surge quando a criança não é protegida das agressões interiores e exteriores. A angústia das crianças que não tiveram a oportunidade de asseguramento é real traduzida, muitas vezes, por meio de dores corporais que podem limitar a construção psíquica da criança.

A construção psíquica da criança se realiza por meio da fantasmática.

O Jogo de Reasseguramento Superficial sucede o jogo de Reasseguramento Profundo. Se a criança não vivência de forma substancial a primeira fase não poderá realizar a segunda. O brincar desenvolve o interesse da busca de fontes de prazer e promove a descentração tônico-emocional. Se a criança vive a brincadeira, participa das iniciativas das outras crianças, compartilhando com elas as emoções, o peso das angústias e o peso da afetividade. Esta interação favorece a atenção no outro e propicia, paulatinamente, uma descentralização em si própria. A criança ao se identificar com o outro coloca-se no lugar dele abstraindo-se de si própria. Este distanciamento de si como o centro de atenção é que permite o olhar da criança sobre si mesma.

O brincar permite o diálogo verbal e não verbal do corpo e da psique. Através do brincar a criança vive e deixa emergir uma dimensão inconsciente por meio da liberação dos afetos. Brincando ela dá forma ao afeto recebido dos pais e cria o seu próprio afeto, por meio de representações inconscientes. (Afeto = conteúdos emocionais recebidos e registrados na memória inconsciente e consciente).

Através do corpo em movimento, a criança expressa sua dimensão inconsciente. A motricidade é o meio entre o continente da inconsciência e a percepção do agora (consciência).

O corpo é o primeiro objeto transicional pelo fato de permitir à criança colocar em evidência o prazer que foi vivido com o outro no passado. Através do corpo ela interpreta e analisa estes conteúdos inconscientes que definimos como "fantasmática".

O brincar promove a comunicação, a verbalização, a criação e o desenvolvimento da função simbólica: a capacidade de representar formas conscientes (casa,objetos e situações) e a capacidade de expressão da fantasmática. A representação simbólica é vivenciada de forma verbal e não verbal, através de associações com as experiências vividas. Ex: Um menino e uma almofada. A almofada representa o carro e ele o motorista e a ação total a identificação do pai dirigindo o automóvel. Com a boca ele produz o barulho do motor e o seu corpo se ativa psicomotoramente.

No prazer do brincar existe sempre a presença do outro de forma simbólica. Esta é a síntese do reasseguramento.

A representação do brincar evolue com o desenvolvimento da psique. Com 3 e 4 anos diante de uma brincadeira de lobo a criança entra no jogo e é tomada pela sua fantasmática de a feto e angústia. Com 5 e 6 anos na brincadeira de lobo ela responde à brincadeira com um certo distanciamento. Com 7 anos ela diz: - Hoje vamos brincar de lobo e acaba não brincando porque o simples fato de evocar é suficiente para o reasseguramento. Ela age com o lobo de forma mental. Portanto no brincar há uma evolução da representação por meio do corpo para a representação mental.

Este é o paradigma que une e desenvolve o prazer do brincar para o prazer da aprendizagem. A aprendizagem é um prolongamento de uma dinâmica de prazer que vai do corpo ao pensamento. O prazer da aprendizagem ocorre no nível inconsciente e consciente.

O prazer de aprender começa bem cedo quando a criança com quase um ano começa a se apoiar para buscar ficar em pé sozinha, sem a ajuda dos pais ou qualquer adulto do seu lado. Realizando tentativas e caindo, ela estará aproveitando a aprendizagem postural e as compensações. Buscando posições de segurança e equilíbrio, ela vai tomando consciência do desencadeamento postural. A repetição na aprendizagem é fundamental porque através de uma dinâmica de prazer a criança vai aos poucos, memorizar o movimento e as posturas, o que vai permitir ela se apoiar nos pés e conseguir a tensão tônica suficiente para dizer: - Eu consigo; eu existo.

A condição da aprendizagem motora está intimamente ligada à possibilidade da ação e ao prazer da conquista dela. Se os pais não dão essa liberdade necessária à experimentação, a criança poderá, mais tarde, apresentar limitações psicomotoras intransponíveis pelo fato de ter sido impossibilitada de vivenciar o desequilíbrio, cair e aprender como buscar soluções para este desequilíbrio.

As crianças, por perseverança inata vão adquirindo confiança por meio das tentativas: porque é pela ação que a criança aprende o prazer de existir e adquirir confiança em si mesma.

Assim como a criança encontra a segurança afetiva através do brincar, ela vai conquistando, aos poucos, o mundo em função da sua ação. Para descobrir o que está no alto. ela vai estender o próprio corpo para alcançar o que quer. Através da sensação do corpo na exploração do espaço e na descoberta da massa dos objetos é que ela vai ativar sua habilidade tônica para pegar o que é pesado e o que é leve. Conquistando a habilidade tônica, ela aprende a tocar, acariciar, transpondo-se, inconscientemente, da forma como foi tocada e acariciada.

A mão é um prolongamento da boca como se a criança que agride com as mãos agrediu o peito da mãe. Neste sentido, a disgrafia tem ligação com a dificuldade da linguagem. A mão é a inteligência inconsciente das primeiras vivências da criança.

CONCLUSÃO:
A aprendizagem está ligada a descentração tônico-emocional conquistada nos jogos de reasseguramento superficial que dependem da vivência dos jogos de reasseguramento profundo ligadas à expressão e vivência do corpo psicomotor.

Ao brincar com os outros, a criança percebe o mundo exterior dos indivíduos que proporciona à ela parâmetros emocionais e fantasmáticos.

Aos 6 anos a criança normal deve perceber o mundo exterior descentrando-se tônico-emocionalmente ao brincar. Quando isto não ocorre elas deixam de perceber os seus afetos e permanecem projetando sua visão interna do mundo, fortemente ligada às emoções ao analisar o mundo real. No contexto piagetiano. não conseguem ultrapassar do estágio pré-operatório para o pensamento operatório formal.

A prática psicomotora tem como objetivo auxiliar o processo de descentração tônica do ambiente egocêntrico próprio das crianças de 4 e 5 anos de idade.

Na prática terapêutica psicomotora a criança é convidada a passar diferentes níveis simbólicos através do movimento, grafismo e atividades plásticas de construção e verbalização.Através destas experiências a criança toma consciência da sua produção como corpo e percurso de linguagem promovendo a descentração tônica.

Através da prática psicomotora promove-se a linguagem espontânea da criança, capaz de colocar palavras sobre emoções vividas. Por meio da linguagem e do exercício da mesma promove-se a maturação do conhecimento. Ex: se a criança salta 50 vezes sobre um tapete vermelho e não se coloca emocionalmente por meio da verbalização a criança não pode ter acesso à linguagem e conseqüentemente não pode ter acesso à simbologia e á cognição. Há uma coerência entre o corpo e a cognição assim como há uma coerência entre da maturação psicológica com a via motora compreendida na expressão psicomotora de conteúdos inconscientes e conscientes.

A terapêutica psicomotora visa promover o contato da criança com seus próprios afetos através da expressão, ativando conteúdos fantasmáticos na dinâmica da experimentação da ação necessária para a aprendizagem da representação simbólica e da criação da imagem mental dos objetos. A prática busca favorecer a passagem da criança para o nível operatório formal, no desenvolvimento do pensamento abstrato momento este onde a criança obtém a base cognitiva necessária para o processo de alfabetização e introdução no ensino regular.


Maria Carolina Sá Moreira Oliveira
Participante da I Jornada
Arte Educadora/Especialista em Reabilitação
Pós graduanda em Psicomotricidade

http://www.psicomotricidade.com.br/sp/texto_do_prazer_de_brincar.htm

quinta-feira, outubro 04, 2007

Massagem

é um tipo de massagem milenar indiana, fortemente influenciada pelas tradições do Yoga e da Medicina Ayurvédica, sendo especialmente indicada para os bébés.
Foi o Dr. Frederick Leboyer, um obstetra francês, que observou, em Calcutá, uma mãe massajando o seu bébé, tendo posteriormente trazido essa informação para o ocidente. Assim, baptizou essa sequência de movimentos com o nome daquela mulher: Shantala.
A massagem Shantala implica uma sequência de toques efectuados no bébé com carinho, mas também com sequência e técnica específica. É uma técnica que fomenta o desenvolvimento emocional do bébé.
Sendo esta uma massagem especialmente vocacionada para bébés, é fácil perceber que o poder das mãos é extremamente importante.
Os movimentos devem ser feitos com firmeza, aumentando naturalmente a pressão dos dedos. Os movimentos são sempre feitos do centro para as extremidades ou de baixo para cima. E deve-se começar sempre no lado esquerdo e acabar no lado direito, pois segundo a medicina oriental este é o sentido da energia no corpo humano.
Esta massagem deve ser feita num ambiente calmo, silencioso ou com uma música ambiente bem tranquila.
Neste tipo de massagem é comum utilizar-se óleos vegetais puros e naturais ligeiramente aquecidos. O óleo funciona como um óptimo condutor de movimentos, evitando atritos na pele sensível do bébé.
No final da massagem, deve dar-se um banho ao bébé de modo a proporcionar a continuidade do efeito de relaxamento pretendido.
A Massagem Shantala aplica-se exclusivamente a recém-nascidos a partir de 1 mês de idade, podendo aplicar-se também aos bébés e a crianças.

A Massagem Shantala é bom para:

- Relaxamento;
- Redução de tensões e bloqueios;
- Melhoria da frequência cardíaca;
- Melhoria do funcionamento do aparelho locomotor;
- Alívio de insónias;
- Equilíbrio energético;
- Melhoria das sensações de segurança e auto-estima.





O cantinho da leitura

Porque Não Conseguimos Ser os Pais que Queremos?

Acabe com os velhos hábitos e seja feliz com os seus filhos



de Charles H. Elliott, Laura Smith



Preço: EUR 3,00

Editor: AMBAR
ISBN: 9724304078
ISBN-13: 9789724304076
Ano de Edição: 2001
N.º de Páginas: 246
Encadernação: Capa mole
Dimensões: 15 x 23 x 2 cm



http://www.webboom.pt/ficha.asp?ID=66153

segunda-feira, setembro 10, 2007

"um bebé é...
Um mágico que transforma um casal numa família
Um ser humano com sede de amor
Um espírito que só pede para descobrir o mundo
Um pequeno ser que começa a sua grande aventura humana.
Uma criança é...
Na maioria das vezes, fonte de admiração para os pais
Por vezes, um reaccionário que os faz perder as estribeiras
Um construtor do futuro
Um grande mestre da vida.
Os pais são...
Antigas crianças que por vezes esqueceram o que é a infância
Aprendizes que descobrem dia após dia o seu papel de pais
Cépticos que perguntam frequentemente se agiram bem
Guias, fontes de amor, modelos
E, sobretudo, as pessoas mais importantes
Na vida dos eu filho. "
FERLAND, Francine, O desenvolvimento da criança-Do berço à escola, Lisboa, climepsi editores, 2006

quarta-feira, setembro 05, 2007

Perturbações do Espectro do Autismo e Modelos de Ensino Estruturado

No dia 7 e 8 de Setembro, em Évora irá decorrer um Curso sobre Autismo que a DREALENTEJO vai organizar.
Para mais insformações consultar o site da DREALENTEJO

domingo, agosto 19, 2007

Autismo

Dois deliciosos videos de um menino com autismo chamado Quinn.






Numa tentativa de ajudar a compreender melhor esta perturbação.

quarta-feira, julho 25, 2007

O PIPREM vai de férias


O PIPREM deseja boas Férias cheias de brilho e de cor***

O cantinho da leitura

“Um Livro para Todos os Dias”
Cada manhã traz-nos sempre um dia por estrear, um dia por abrir, um dia por desembrulhar… Mais tarde, quando fazemos o balanço dos dias, encontramos dias para todos os gostos, desde aqueles verdadeiramente memoráveis, aos que passam por nós quase sem darmos por eles. Um livro pelo qual desfilam muitos dias e momentos, capazes de nos transportar através da memória dos nossos próprios dias. Um livro para crianças crescidas e também para adultos que gostam de livros ilustrados. Uma boa ideia para oferecer no Dia do Pai ou da Mãe ou num aniversário de um amigo. Uma edição do Planeta Tangerina, com textos de Isabel Martins e ilustrações de Bernardo Carvalho. Há dias tão grandes que parecem um mês inteiro Há dias que passam num abrir e fechar de olhos.

http://www.guiadafamilia.com

terça-feira, julho 24, 2007

A criança e a linguagem



Nos primeiros anos de vida de uma criança a atenção dos pais relativas ao desenvolvimento do seu bebé centram-se ao nível das capacidades motoras, cognitivas e de comunicação.
Entre os sete e os catorze meses os primeiros passos e as primeiras palavras são, para os pais, sinais indicadores e tranquilizantes de um desenvolvimento de acordo com as suas expectativas.
A aquisição da fala/linguagem desenvolve-se desde o nascimento pela interacção pais/bebé, no qual o contacto e a relação afectiva estabelecida através do tacto, da voz, do olhar, do gesto e do olfacto são extremamente importantes. Estas aquisições são um processo crescente de uma série de aprendizagens ao nível das capacidades de compreensão e expressão da linguagem pelo uso dos sons da fala nas palavras e nas frases.


As fases do desenvolvimento
Durante o desenvolvimento da criança observam-se uma série de comportamentos comunicativos que por si só não se consideram linguísticos e contudo são determinantes no processo de aquisição da linguagem, sendo bastante evidentes logo desde os primeiros meses de vida do bebé:
- Choro
- Sorriso
- Expressões faciais ou corporais de agrado e desagrado
- Olhar (contacto visual)
- A atenção a vozes
- A atenção à música e ao canto
- Reacções a gestos ou expressões do adulto

Durante este desenvolvimento ocorrem também diversas etapas linguísticas que se dividem em duas fases:
A FASE PRÉ-LINGUÍSTICA
Ocorre desde o nascimento até aproximadamente aos 9 meses:
- Até 7/8 semanas: o bebé manifesta as suas necessidades e transmite o seu mal-estar através de gritos e “barulhos”.
- Entre as 8/20 semanas: o bebé começa a produzir sons (lalação) e já começa a repetir sons produzidos pela mãe nas suas brincadeiras.
- A partir do 4º mês: a troca da lalação aumenta e aparecem os sons pr/br e o balbucio repetido pá-pá/bá-bá.


A FASE LINGUÍSTICA
Começa por volta dos 9/12 meses, é marcada pelo aparecimento da 1ª palavra e pelo desaparecimento da lalação
Entre os 12/18 meses:
- Produz um pequeno número de palavras
- Compreende a ordem “não”
Entre os 18/22 meses:
- O vocabulário aumenta entre 20 a 200 palavras
- Surge a palavra-frase (uma palavra pode ter o significado de uma frase: “quéa”- “quero água”-que se pode prolongar até aos 2 anos
- Começa a utilizar a palavra “não”
- Surgem as primeiras frases de duas palavras: “tem xixi”
- Aponta para objectos nomeados
- Compreende perguntas simples: “O papá?”

Entre os 22/27 meses:
- O vocabulário cresce entre 300 a 400 palavras
- Surgem mais frases de duas palavras
- Começam a surgir as primeiras frases de três palavras (ainda imaturas)

Entre os 27/36 meses:
- O vocabulário cresce entre 1000 a 2000 palavras
- Nomeia pelo menos uma cor
- Distingue o tamanho das coisas
- Começa a construir frases cada vez menos imaturas, mais longas e complexas utilizando artigos e algumas formas verbais
- Já relata experiências recentes e descreve acontecimentos simples
- Compreende frases mais complexas, por exemplo de duas ordens:” Põe a colher em cima da mesa e dá a prato”
A partir dos três anos de idade os elementos essenciais da linguagem já estão adquiridos, a partir desta idade a criança vai enriquecer o seu vocabulário e aperfeiçoar a construção gramatical das frases.

ATRASO NA AQUISIÇÃO DA FALA/LINGUAGEM
COMO IDENTIFICAR?
Cada criança tem um ritmo de tempo próprio e diferente de todas as outras, o que para uma pode ser adquirido na altura certa ou um pouco mais cedo, para outra pode ser adquirido um pouco mais tarde, sem que por isso seja considerado um atraso.
Há que respeitar o desenvolvimento de cada criança dando-lhe tempo para as suas aquisições, Contudo desde a nascença podem ocorrer uma série de sinais indicadores de eventuais dificuldades no desenvolvimento da linguagem:
- Fraco contacto visual
- Fraca ou nenhuma reacção aos sons, musica ou canto
- Fraca ou nenhuma reacção aos estímulos ou às interacções dos pais
Ou a partir de determinado momento, os pais poderão começar a aperceber-se de outras dificuldades que prejudiquem tanto a compreensão do discurso da criança como a sua capacidade de expressão.

Existem alguns sinais que poderão alertar os pais para eventuais atrasos no desenvolvimento da fala e/ou linguagem, que podem ser facilmente detectados quando a partir dos três anos ainda se verifique:
- Vocabulário reduzido
- Frases curtas e muito imaturas
- Dificuldade na elaboração de frases e na descrição de acontecimentos recentes
- Discurso infantil: fala “à bebé” (expressões como: o popó, o piupiu, o quáquá, o dói-doi etc)
- Discurso de fraca inteligibilidade
- Alterações na articulação dos sons da fala com demasiadas trocas e omissões
- Dificuldade na compreensão de pedidos, perguntas etc

COMO ACTUAR
Os pais, ao suspeitarem de dificuldades na fala e ou linguagem da sua criança, deverão não só estar atentos para o tipo de dificuldades, como também, avançar no sentido de pedir um esclarecimento mais especifico nesta área. Uma série de medidas podem ser tomadas, nomeadamente:
- Falar com o pediatra da criança
- Recorrer a um terapeuta da fala para a avaliação das capacidades comunicativas e linguísticas da criança
- Encaminhar para a consulta de Otorrinolaringologia (ORL) para o despiste de eventuais dificuldades de audição
- Encaminhar para a consulta de desenvolvimento ou recorrer a um psicólogo para avaliação do desenvolvimento global da criança (por vezes as dificuldades de linguagem estão associadas a atrasos globais de desenvolvimento)
- Estar atenta a programas de rastreio de perturbações da fala e linguagem, desenvolvidos por centros especializados como o programa desenvolvido pelo Centro de Desenvolvimento Infantil – Estimulopraxis, que avança agora com esta nova resposta aos pais.
A avaliação da criança é realizada por terapeutas da fala que se deslocam às escolas e jardins-de-infância no sentido de sensibilizar, prevenir e orientar as famílias e os profissionais de educação.

COMO INTERVIR
Em simultâneo, uma série de estratégias podem e devem ser aplicadas em casa, com os pais e até no jardim-de-infância ou escola, de forma a facilitar e contribuir para o sucesso no desenvolvimento da fala/linguagem da criança:
- Falar muito com ela estabelecendo ao mesmo tempo contacto visual;
- Falar de forma clara e simples utilizando frases curtas
- Nomear frequentemente o nome de objectos da casa, peças de vestuário, partes do corpo, nomes de animais etc.
- Pedir-lhe também para identificar e nomear esses mesmos objectos
- Não corrigir, a criança, todas as vezes que fala mal, em vez disso deve-se repetir aquilo que disse mas de forma correcta
- Cantar
- Contar histórias de forma lúdica e divertida
- Ajudar a criança a verbalizar pedidos, evitando fazer-lhe de imediato aquilo que pede por meio de gestos ou sons
- Procurar não corrigir todos os erros
- Reforçar os esforços com elogios

É IMPORTANTE SABER
Que os pais que falam muito com os seus filhos, que lhes lêem, ensinam canções e que aproveitam uma variedade de situações do dia a dia para a estimulação constante da linguagem, exercem uma forte influência no seu desenvolvimento,
Que a entrada para o jardim-de-infância, o contacto constante com uma série de estímulos verbais que se estabelecem e desenrolam de forma muito natural e espontânea, quer com o educador quer com as outras crianças da sala, promove não só o desenvolvimento das suas capacidades comunicativas e linguísticas, como também, as aquisições fundamentais para o seu desenvolvimento global.
Que aos seis anos de idade, com a entrada para o 1º ano da escola, um atraso no desenvolvimento da linguagem pode dificultar as aprendizagens da leitura e da escrita.
fonte:sapobebe

Para a cama!

Um dos principais problemas que enfrenta a família ao instituir as rotinas clássicas resvala na falta de sentido ou noção do tempo por parte das crianças
As crianças aprendem, pela própria prática, algumas rotinas que as acompanharão durante boa parte da infância, com escassas variantes.
Para conseguir a incorporação destes hábitos é fundamental que os pais dêem pautas claras, já que as instruções contraditórias ou muito variáveis impedem a criança de compreender quando é necessário respeitar as ordens e quando podem solicitar as excepções.
Os pais e as pessoas que cuidam da criança são quem introduz as rotinas, e têm uma influência decisiva na organização infantil. Não obstante, a carência da noção do tempo por parte das crianças pode dificultar a tarefa.


Perdidos no tempo
Os bebés vão aceitando, pouco a pouco, a divisão do seu dia em dois grandes ciclos: o tempo de sono e o tempo de vigília.
Dentro desses ciclos, rapidamente se diferenciam outros dois aspectos: o de satisfação e o de necessidade, geralmente ligados à sensação de uma barriguinha cheia ou vazia.
Para compreender a particular maneira como as crianças vivem a passagem de tempo, é conveniente pensar numa situação semelhante à de um adulto no deserto.
Sem sinais, este viajante imaginário estaria perdido. O espaço que visualiza é aparentemente igual. Há areia e dunas por todo o lado, e o céu tão pouco anuncia limites.
Muitos exploradores que finalmente encontraram a sua saída confessam ter caminhado em círculo sem nenhuma orientação, apesar de gozar da função de todos os sentidos. Assim, como os extraviados no espaço, podemos imaginar as crianças "perdidas no tempo".



Tempos modernos
Hoje em dia, coexistem numa mesma família ritmos e rotinas diferentes. Além disso, a ordem do lar é bem diferente da de algumas décadas atrás.
A mesa servida ao meio-dia em ponto, a hora das crianças irem para a cama, o dia para se cortar o cabelo ou ir fazer visitas, já não existem como algo fixo e tradicionalmente aceite.
Nestes tempos de mudança, algumas rotinas que representavam verdadeiros momentos de união familiar suprimiram-se. A expansão da televisão como uma protagonista mais dentro da vida quotidiana significou uma revolução na ordem comunicativa e na organização familiar.
O programa da família cruzou-se, de imediato, com programas impostos pelo exterior, e muitas rotinas quebraram-se ou desapareceram porque são contrárias aos novos hábitos, agora regidos pelos horários dos programas de televisão.


Fora de tempo
Os pais que trabalham todo o dia conhecem muito bem este sentimento tão especial que mistura a obrigação e o direito de se realizar pessoalmente, com a culpa e a pena por perder o contacto com os filhos.
Pode existir um juízo menos preparado para exercer a autoridade que alguém que se sente assim? Além do mais, as crianças maiores de três anos, embora tenham aprendido os gestos sedutores e os protestos acompanhados por choro, são adversárias difíceis de vencer.
Estes opositores infantis, obstinados, encantadores e irritantes alternadamente, têm nos pais "culpados" insuspeitos aliados.
Interiormente, os adultos justificam a contrariedade das crianças, poderíamos dizer que "lhes dão razão". Os pais sentem, de algum modo, a ânsia por satisfazer os seus próprios desejos: porque não um pouco mais?




Um pouco mais...
O poder paterno e materno dá lugar às permissões especiais, às excepções, e abre a possibilidade tão gratificante de ver o resplendor dos sorrisos dos que são desculpados, e de receber os beijos e abraços dos pequenitos que gozam do indulto.
Nesses momentos, os pais sentem que o tempo para desfrutar dos filhos é breve e que esse espaço de gratidão e prazer não custa realmente nada, apenas uma permissão extra "por esta vez".
No entanto, é importante ter em conta que se as instruções dos pais não são claras ou se contradizem, às crianças tornar-se-á difícil perceber quando é necessário respeitar as ordens e quando podem solicitar as excepções.
Na incerteza própria da evolução somam-se assim as incertezas que fomentam os princípios da educação exageradamente flexíveis. Àquele viajante do deserto que imaginávamos soma-se-lhe um contexto privado de orientação, com sinais confusos, enganadores e imprevisíveis.



Almas em conflito
Muitíssimas acções que os pais realizam para felicitar ou corrigir os filhos são relativamente simples. Em geral, a simplicidade provém da falta de oposição infantil.
À medida que os filhos crescem e a sua personalidade se vai estruturando, os pais encontrarão dificuldades mais ou menos sérias para fazer valer os seus critérios perante eles.
Sabe-se que estas formas de conflito familiar são inevitáveis, já que provêm da particular relação que se estabelece entre pessoas adultas e pessoas em formação.
Muitas vezes dizemos que alguém tem uma personalidade infantil quando pretende obstinadamente realizar os seus desejos sem aceder ao razoável nem aceitar os argumentos dos demais.
Efectivamente, são estas as características que prevalecem durante grande parte da infância: os mais pequenos são ansiosos e intolerantes, carecem de paciência e devem ainda aprender a esperar.

Com opinião própria
Quando têm menos de três anos, as crianças respondem às negativas dos seus pais com espantosas birras e choros ou ofendidos amuos.
Embora estas reacções sejam muito aparatosas, não representam ainda uma conduta incorrigível que faça temer problemas agravados no futuro.
O realmente comovedor e desconcertante para os pais é a atitude das crianças capazes de expressar um argumento e opor-se com uma postura (mais ou menos lógica) às indicações adultas.
Geralmente, qualquer papá ou mamã que com carinho dá uma ordem ao seu filho, sabe resolver um conflito provocado pelas crianças que ainda não raciocinam.
No entanto, aos mesmos pais pode ser complicado opor-se a crianças que expõem o seu modo de ver as coisas.



Decisões democráticas
Se os pais se propuseram conseguir a participação dos pequenitos através de uma educação democrática, as suas metas em comum têm de incluir a compreensão dos processos que conduzem a certas atitudes de rebeldia ou desafio à autoridade ou à sensatez dos mais velhos.
Na realidade, estas condutas respondem tanto à imaturidade infantil como à relação com os pais e com as autoridades da escola.
Ao argumento esgrimido pela criança deverá opor-se outro, neste caso dos adultos. Mas, para que seja aceite pela criança, o argumento do adulto deverá contar com os ingredientes necessários.
Sem estas condições, a questão converter-se-á num diálogo estéril. Diz-se que o que não sabe argumentar grita, e isso é, efectivamente, o que acontece quando aumenta o nível de confrontação e tudo pode terminar na imposição dos pais e a forçada obediência dos filhos.
Isto não seria grave se não fosse porque, muito possivelmente, esta cena desagradável para todos se repetirá uma e outra vez a menos que se quebre o circuito da incompreensão.



Para a cama!
Ao contrário dos adultos, os pequenitos são de rápida recuperação. Nem todas as crianças dormem 8 a 10 horas, e podem estar muito despertas ou muito sonolentas na hora de se levantarem para irem para a escola.
Os mais dorminhocos não têm interesse em despertar apesar dos frequentes chamamentos da mamã, e os truques habituais como pôr música fracassam perante a chamada do sono.
Além do mais, ainda que se levantem obrigados, o rendimento durante a manhã não costuma ser o melhor. Estas situações são um bom exemplo de que as horas dedicadas ao descanso e à recuperação de energia são insuficientes.
Para conseguir um clima que estimule as crianças a ir para a cama, é fundamental que exista pelo menos uma hora antes de enviá-los para dormir um período de calma e baixa dos estímulos.
Devido ao facto de alguns jogos, como os electrónicos e ainda os corporais entre irmãos e pais serem particularmente excitantes para os mais pequenos, deverão evitar-se na hora de ir dormir, o mesmo que o computador e a televisão, já que tão pouco são inocentes quando de estímulos se trata.



O terceiro excluído
Entre os três e os seis anos, em plena etapa do popular "complexo de Édipo", as crianças resistem a deixar os pais sozinhos porque intuem sobre a sua intimidade e desejam interferir.
O papá e a mamã aproveitam para trocar os seus mimos na hora a que estão mais relaxados por terem terminado as suas obrigações diárias, e provavelmente ambos estejam à espera deste momento para estar juntos.
É fundamental para a personalidade das crianças e para a sua integração social que experimentem sobre si mesmas o carinho dos seus pais, mas é igualmente importante que os vejam a trocar gestos de amor entre eles.
Além do mais, pode ser contraproducente pretender que a criança vá dormir justamente a meio destas cenas, porque o sentimento de ser o "terceiro excluído" será mais forte.


Copiar a natureza
A natureza dispôs sabiamente a descida paulatina da luz e os sons quando, ao entardecer, o crepúsculo precede a chegada da noite.
Também o amanhecer é um crescente despertar e não há nada abrupto no repetido ciclo do dia e da noite. Parece que a preparação prévia é necessária tanto para adormecer como para acordar, e o mundo animal e o vegetal ensinam-nos muito se aprendermos a observá-lo.
As crianças também necessitam de receber sinais claros e constantes que indiquem que a actividade está para cessar ou começar. Assim será mais fácil para elas adequar-se às rotinas e convertê-las em hábitos saudáveis.
O relógio biológico humano também necessita destas rotinas para que o organismo consiga adaptações não traumáticas e reservar assim o máximo da energia útil.



A adaptação à mudança
Muitos pais não entendem a enorme diferença que existe entre a capacidade de adaptação dos adultos e das crianças.
Os adultos são capazes de abandonar o computador e preparar-se para ir ao cinema em poucos minutos, ou mudar o programa previsto cancelando um convite ou indo dormir.
As crianças não têm ainda a capacidade para resolver satisfatoriamente as mudanças repentinas. Se estão excitadas por estímulos diversos custa-lhes muito desprender-se deles com tranquilidade e sem mau humor.
Por isso, necessitam de certos passos prévios que lhes anunciem, não só através das palavras mas também de factos visíveis, as coisas que estão para acontecer.
Quando estes sinais prévios mudam a cada dia ou demasiado rápido, os pequenitos experimentam sensações semelhantes às do nosso explorador perdido.
Se as horas para ir dormir ou realizar as refeições principais variam frequentemente, o relógio biológico falhará, a incerteza impedirá a estruturação dos horários e perturbará a personalidade da criança.



As rotinas
As crianças necessitam de receber sinais claros e constantes que indiquem que a actividade está para cessar ou começar.
Assim, será mais fácil para elas adequar-se às rotinas e convertê-las em hábitos saudáveis. Antes que as crianças aprendam a ler o relógio pode-se armar uma esfera simples (de cartolina de diferentes cores) para lhes ensinar as "porções" em que se divide o dia.
Vê-lo graficamente pode fazê-las compreender e aceitar melhor as rotinas quotidianas. Nesse relógio primário marcar-se-ão também os sectores de tolerância, como podem ser os que antecedem o almoço, o jantar e o descanso.



Alguns conselhos para optimizar as mensagens
- As palavras não serão suficientes se não tiverem um suporte real em que as crianças se possam apoiar para entender.
- O ideal é ensiná-las desde pequenas que o dia e a noite foram criados para realizar diferentes actividades.
- É útil explicar-lhes que todos necessitamos de descansar para poder brincar, estudar e estar contentes.
- É oportuno assinalar a conduta dos animais aproveitando as visitas ao jardim zoológico, e explicando que cada um tem os seus tempos para dormir e estar acordado.
- Mediante a observação é possível ensinar as crianças a diferenciar as rotinas dos cachorros e dos seus pais, e permitir-lhes entender que os adultos permanecem despertos muitas vezes, enquanto cuidam dos seus filhos, assim como acontece com a sua própria família.
- Desde muito pequenas as crianças podem compreender a diferença entre a semana e o fim-de-semana (que geralmente têm rotinas muito diferentes), se os pais os habituam a identificar um e outro. Fazer estas distinções favorece a aquisição de rotinas especiais sem criar a ideia de desorganização.


(fonte:bebe.sapo)