
Quando a criança alcança os 4 anos de idade já possui cerca de 90% da massa cerebral do adulto. A plasticidade das estruturas cerebrais encontra-se no seu pico nos primeiros anos de vida, evoluindo o cérebro de quantidade para qualidade, ou seja, os circuitos formados por neurónios disponíveis para serem “programados” vão diminuindo, visto que o ser humano está delineado geneticamente para a eliminação de neurónios menos adequados e sinapses.
É assente nesta evidência científica que o PIPREM – Projecto de Intervenção Precoce de Reguengos de Monsaraz e Núcleo de Mourão, com sede na Santa Casa da Misericórdia de Reguengos de Monsaraz, tem vindo a trabalhar nos seus quase quatro anos de existência, para uma melhor adequação entre as respostas oferecidas pelos meios familiar, educativo e comunitário e as necessidades das crianças dos 0 aos 6 anos de idade dos concelhos de Reguengos de Monsaraz e Mourão, visto que apesar de potenciado organicamente, pouco acontece na criança, em termos de desenvolvimento e aprendizagem, se o meio em que ela se insere não se esforçar por desempenhar um papel activo.
Este trabalho de adequação tem sido feito, essencialmente, de duas formas: por um lado, tem existido uma sensibilização das famílias para a importância de integrar as suas crianças na creche e/ou jardim de infância, visto que estes contextos oferecem, junto de outras crianças, experiências únicas e fundamentais para a aquisição de competências motoras, cognitivas, afectivas, sociais e de relação; por outro lado, os técnicos do PIPREM, frequentemente no domicílio das próprias, têm vindo a capacitar as famílias a responder física, afectiva e educativamente de um modo mais activo, levando-as a perceber o tempo das crianças como um tempo precioso, que não deve ser ignorado, desvalorizado e/ou desperdiçado, sem esquecer que a família é o primeiro espaço de aprendizagem do ser humano, e é com e no seio dela que a criança aprende a andar, falar, brincar, cantar e interagir. Em suma, a pensar o mundo e a pensar-se a si mesma na interacção com o mundo.
Porque quando falamos de desenvolvimento infantil não há tempo a perder, devemos nos esforçar enquanto comunidade para proporcionar espaços e tempos de aprendizagem, na escola, na família e fora delas, estimulantes na diversão, na brincadeira e na novidade, para uma maior e melhor capacidade intelectual, social, afectiva e imaginativa das nossas crianças.
Publicado originalmente no Caderno Especial sobre Educação do Jornal A Palavra de 13 de Novembro de 2007
http://www.portaldereguengos.com
Sem comentários:
Enviar um comentário