quarta-feira, fevereiro 27, 2008

Adivinha Quanto Eu Gosto de Ti



Às vezes, quando gostamos muito, muito de alguém, queremos encontrar uma maneira de descrever como os nossos sentimentos são grandes. Mas, como descobrem a Pequena Lebre Castanha e Grande Lebre Castanha, o amor não é coisa fácil de medir!


editora: Caminho

A criança mais carinhosa

O amor é tudo.
É a chave da vida, e são as suas influências
que movem o mundo.
Ralph Waldo Trine


Escritor e conferencista, Leo Buscaglia contou que uma vez lhe pediram que fosse júri de um concurso. O objectivo do concurso era encontrar a criança mais carinhosa. Quem ganhou foi um menino de quatro anos, cujo vizinho do lado era um homem idoso que perdera recentemente a mulher. Ao ver o homem a chorar, o rapazinho entrou no quintal dele, subiu-lhe para o colo e ficou ali sentado. Quando a mãe lhe perguntou o que dissera ao vizinho, o rapazinho respondeu:
— Nada, só o ajudei a chorar.

Ellen Kreidman
Canja de galinha para a alma
Mem Martins, Lyon Edições, 2002


segunda-feira, fevereiro 25, 2008

I Congresso ORASI: Construindo Melhores Famílias


Local: PortoData: 16 e 17 Maio 2008

APRESENTAÇÃO
A ORASI vem por este meio divulgar o seu I Congresso ORASI, com convidados de renome nacional e internacional, cujo tema é da maior importância nos dias de hoje.
DESTINATÁRIOS
Profissionais e estudantes da área da Saúde e Educação (psicólogos, médicos, enfermeiros, assistentes sociais, professores, educadores sociais, sociólogos, técnicos superiores de aconselhamento psicossocial, psicopedagogos clínicos, serviço social, etc.), pais e público em geral.
OBJECTIVOS
A relação entre a família e a sociedade constitui um tema sempre actual, pelo que tem sido objecto de muitos e variados tratamentos ao longo do tempo. Com efeito, à medida que a humanidade cresce e vai evoluindo, de geração em geração, o elo entre pais e filhos, enquanto famílias, também vai mudando, dadas as dificuldades próprias da complexidade que caracteriza a natureza humana na relação com o universo social. Assim sendo, a ORASI, como entidade atenta às mudanças sociais e globais próprias do tempo em que vivemos, organiza este congresso, nos dias 16 e 17 de Maio de 2008, no Porto, por forma a trazer e mostrar aos interessados e ao público em geral perspectivas diversas e campos de actuação diferentes mas interligados, sobre este tão importante tema na sociedade.
TEMAS
vulnerabilidade dos afectos
efeitos das experiências adversas na infância no adulto
consumo de drogas e família
vinculação e desenvolvimento
intervenção e prevenção nos maus-tratos
cuidados de saúde e família
pais, educação e desenvolvimento
crianças difíceis
ORADORES CONVIDADOS CONFIRMADOS
É para todos nós um privilégio e orgulho contar com vários convidados já confirmados de renome nacional e internacional, a saber: Américo Baptista (Universidade Lusófona, Lisboa, PT); Angela Maia (Universidade do Minho, Braga, PT); António Leuschner (Hospital Magalhães Lemos, Porto, PT); Arthur Horne (University of Georgia, Georgia, USA); Ayse Çiftçi (University of Purdue, West Lafayette, USA); Fernando Almeida (Hospital Magalhães Lemos, Porto, PT); Freitas Gomes (Clínica do Outeiro, Vila do Conde, PT); Isabel Soares (Universidade do Minho, Braga, PT); José Barrias (Instituto de Alcoologia, Porto, PT); João Lopes (Universidade do Minho, Braga, PT); João Salgado (Instituto Superior da Maia, Maia, PT); José Luís Pais Ribeiro (Universidade do Porto, Porto, PT); Luís Vilas Boas (Refúgio Aboim Ascenção, Algarve, PT); Marisalva Fávero (Instituto Superior da Maia, Maia, PT); Octávio Cunha (Hospital de S. António, Porto, PT); Óscar Gonçalves (Universidade do Minho, Braga, PT); Robert Neimeyer (University of Memphis, Memphis, USA); Rui Nunes (Fac. Medicina da Universidade do Porto, Porto, PT); Thomas Sayger (University of Memphis, Memphis, USA); Timothy Melchert (University of Marquette, Milwaukee, USA).
Já se encontra disponível através do site da ORASI ( www.orasi.pt) a apresentação de propostas de comunicações e posters, até ao dia 29 de Fevereiro de 2008.
Para mais informações:
http://www.orasi.pt/congresso.html
Para inscrição online:
http://www.orasi.ubiktek.pt/registration.aspx
Para Call For Abstracts online:
http://www.orasi.ubiktek.pt/call_for_abstracts.aspx

domingo, fevereiro 24, 2008

O cantinho da leitura


Este mês recomendamos o livro de C. Drew Edwards Como Lidar com Crianças Difíceis





Cansado de birras? Discussões? Cenas? Mau feitio? Explosões de raiva? Desobediência? Stress? Não desista. A ajuda vem a caminho.Algumas crianças representam um desafio maior do que outras. Se é pai de uma criança difícil, este livro é para si. C. Drew Edwards, psicólogo clínico e pai, dá-lhe sugestões, técnicas e a informação de que necessita para identificar, abordar e corrigir problemas de comportamento. Ficará a saber: - por que razão algumas crianças são difíceis – pois a compreensão é a chave da mudança;- estratégias específicas para lidar com os problemas do dia-a-dia – da loucura matinal às lutas à hora das refeições, birras em público, guerras com os trabalhos de casa, e muito mais;- como ser um Pai Confiante, que consegue facultar orientação e segurança, carinho e apoio – tudo aquilo de que o seu filho necessita para se tornar uma criança responsável, diligente e satisfeita;- como responder de forma eficaz aos comportamentos que o deixam à beira de um ataque de nervos – desde técnicas fáceis que poderá utilizar a qualquer momento, a esforços a longo prazo que ajudarão toda a família;- como tratar melhor de si próprio (ser pai de uma criança difícil pode ser um trabalho extenuante!)Pelo caminho, irá construir uma relação com mais carinho e respeito, mais positiva e agradável com o seu filho – o tipo de relação que deseja agora e no futuro.Repleto de informações práticas, escrito com conhecimento de causa e sensibilidade, esta é uma obra à qual vai recorrer com frequência em busca de conselhos, de orientação e de boas notícias: Ser pai de uma criança difícil não é impossível. Estas ideias resultam mesmo.



in, http://www.webboom.pt/


sexta-feira, fevereiro 22, 2008

A nossa casa























A sala de trabalho dos técnicos







































A Sala de Apoio à Família




















A sala de Apoio à Criança

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Sonhos de criança

Os sonhos são um dos factores mais angustiantes e mais significativos na vida de uma criança. No entanto, são poucas as famílias (e adultos no geral) que falam com alguma regularidade acerca dos sonhos dos seus filhos e com os seus filhos. Se o fizessem, talvez ficassem admirados, assustados perante os significados para a ocorrência de certos sonhos em determinados momentos.

Os sonhos podem ser tão angustiantes que existem inclusive crianças que têm medo que o dia acabe, medo de dormir. Para estas crianças não há escapatória no sono, este medo vai manter-se até que o factor de ansiedade que sentem na vida real seja resolvido. Os sonhos de uma criança são como um barómetro do seu bem-estar emocional, comunicam o seu nível de stress e dão uma perspectiva do seu turbilhão inconsciente. As causas mais comuns dos sonhos em crianças passam pelo mau ambiente familiar, com a separação/divórcio dos pais, abuso sexual, doenças, sentimentos de isolamento, falta de apoio ou protecção, medo da mudança, medo dos pais, medo dos professores, dos exames/testes, morte, situações traumáticas, stress e ansiedade no geral.Quando recorrentes, transformam-se rapidamente em pesadelos e aumentam a ansiedade e o stress na vida da criança. A maior parte das crianças com quem trabalho, não falam acerca dos seus sonhos/pesadelos e quando finalmente alguém lhes pergunta porque julgam que tiveram aquele sonho, retiram com clareza surpreendente ilações (muito superiores às dos adultos que negam os seus problemas ou são cépticos quanto ao seu significado).

Os sonhos podem ser variados, de acordo com a imaginação de cada criança mas, normalmente reflectem o turbilhão emocional da sua vida em vigília. Podem sonhar com a morte dos pais por terem medo de ficar sozinhas, ou ter sonhos violentos com um dos pais em que a criança se vê impotente para ajudá-lo, decorrentes talvez de um divórcio. Especialmente em casos de divórcio dos pais, ocorrem frequentemente sonhos muito violentos em que a criança se vê a matar animais ou a assistir à morte de um dos pais. É comum também a criança sonhar que é perseguida ou apanhada numa armadilha, temas estes tipicamente associados ao sentimento de vulnerabilidade. Às vezes os sonhos reflectem o que a criança pensa que lhe fizeram, isto é, revelam a cólera disfarçada por causa da situação em que se encontra. Estes sonhos acabam por representar uma maneira segura da criança descarregar sentimentos de destruição, vingança ou rejeição, sem ser castigada ou sem arriscar mais perdas ou, de fazer algo que lhe foi categoricamente proibido como simplesmente chorar…Normalmente os sonhos perturbadores começam com pequenas situações assustadoras, como a criança a ser perseguida por uma minhoca gigante ou ficar sozinha o aumento de pressão em casa, por exemplo a desintegração do casamento dos pais. Os seus sonhos revelam muitas vezes a consciência intuitiva que muitas crianças possuem sobre acontecimentos que se dão no seio da família e que os pais teimam em não revelar pensando estar a proteger a criança (quando possivelmente a estarão a traumatizar).Os sonhos mais perturbadores e angustiantes são normalmente aqueles que envolvem a morte. Explique aos seus filhos que os sonhos com a morte indicam em geral que algum aspecto da vida acabou, não significando realmente que alguém irá morrer literalmente. Em casos de divórcio é comum a criança sonhar com os pais mortos, é necessário fazer compreender aos filhos que os pais não vão morrer mas sim terminar a sua vida em conjunto.Se têm em casa uma criança angustiada com os sonhos, sugerem-se de seguida algumas estratégias simples que como pais/educadores podem utilizar:Tente criar um ambiente carinhoso, de aceitação e de não-julgamento em que a criança se sinta segura para falar. Os sonhos não são bons/maus ou certos/errados, por isso nunca diga a uma criança que ela é má por causa dos seus sonhos. Não se zangue. Não os trivialize pois, são um importante meio de comunicação. Ouça o que a criança diz e faça abertamente perguntas que lhe permitam contar a história à sua maneira. Encoraje-a a explorar o sonho. Por exemplo: “Como é que te sentias no sonho?”, “Encontras-te alguém que te ajudasse?” ou “Qual foi a melhor/pior parte do teu sonho?” Ao ouvir, está a mostrar à criança que dá valor ao que ela tem a dizer, aumentando a auto-estima da criança e a confiança em si.Deve deixar a criança expressar os seus sentimentos sobre o sonho e a sua história no seu próprio ritmo. Não force a criança a falar. Lembre-se que não é Psicólogo/ Terapeuta, mas sim um adulto que está a dar apoio num ambiente não-clínico. É importante também que respeite a confidencialidade que a criança deposita em si. A criança precisa de se sentir respeitada. Se ela decidir falar consigo sobre os seus sonhos, óptimo, mas não abuse dessa confiança, ao falar a outras pessoas desse assunto sem primeiro ter o seu acordo.Ajude a criança a estabelecer ligações com acontecimentos da vida real. Se tiver um sonho que a perturbe, ajude-a carinhosamente a descobrir com o que se relaciona. Ao trabalharem os sonhos, as crianças podem tornar-se muito mais conscientes de todas as pressões psicológicas a que estão sujeitas. É necessário ter ainda em atenção que algumas crianças acreditam que, se falarem nos sonhos, eles acabam por se realizar, outras acreditam que, se caírem em sonho e se atingirem o fundo da sua queda, nunca mais acordam. Tanto adultos como crianças têm alguns mitos. Ajude as crianças a compreenderem o que são os sonhos e a razão por que sonhamos. Terão assim muito menos medo.Se verificar que não consegue construir uma ponte entre a realidade e os sonhos dos seus filhos, consulte um especialista, não corra o risco dessa angústia extravasar para a vida real pois, é nessa altura que começam a surgir as reacções agressivas para os pais, a cólera para os professores, o desinteresse por tudo, o isolamento e a rejeição dos amigos. Muitas vezes… a depressão. Só quando o rendimento escolar e as notas começam a ser prejudicadas é que os pais normalmente começam a ficar preocupados. Estejam atentos, Não caiam nesse erro.

Fonte: http://www.medicosdeportugal.iol.pt, Gabinete de Psicologia e Recursos Humanos
Dra. Lara R. Alves, Psicóloga Clínic

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Como conseguir que o seu filho adquira confiança e segurança em si próprio…



Quantas vezes nós, mamãs, nos interrogamos se os nossos filhos estarão preparados para enfrentar as circunstâncias complexas da vida, e se adquiriram suficientes recursos para se defenderem em situações de mudança… “Poderá adaptar-se à nova escola?”, “Passará no exame?”, “Vencerá algum dia essa timidez?”, “Conseguirá construir um futuro sólido?”.
É claro que nós, como pais, não somos alheios ao modo como eles resolvem estas e outras situações, que sem dúvida se encontram directamente relacionadas com o modelo de educação de cada família, com as capacidades próprias de cada criança e com as características da abordagem pedagógica.
A verdade é que podemos intervir em pelo menos dois destes factores, e que da qualidade das nossas intervenções também dependerá a estruturação de personalidade que a criança irá desenvolver.
Encontro e comunicação
Comecemos então por analisar o modo como acompanhamos o desenvolvimento dos nossos filhos, não como uma maneira de descartar ou de criticar o modo como o fazemos, mas para valorizar o papel de pais e articular estratégias úteis no momento de enfrentar os problemas que se colocam diariamente na educação.
Porque a confiança e a segurança que uma criança tem em si própria é construída a partir de situações reais, conflitos e desafios que no decorrer de cada dia se vão apresentando. Mas, como podemos ajudá-los para que as suas respostas e decisões sejam as mais adequadas? Desde logo, nada conseguiremos se escolhermos por eles.
A modalidade “invasora” não parece ser a mais oportuna. Por outro lado, à medida que as crianças crescem, devem a pouco e pouco distanciar-se saudavelmente dos seus papás, para progressivamente integrarem-se e desenvolverem-se no mundo dos adultos.
E depois? O objectivo está em possibilitar que a auto-estima se instale progressivamente durante a primeira infância, ultrapassando os momentos de intercâmbios e de relacionamentos (que definitivamente são sinónimos de encontro e de comunicação).

O papel do adulto
Durante os primeiros anos de vida, instalam-se as matrizes do afecto e da aprendizagem, e para potenciar essas etapas de construção e consolidação da sua personalidade, é importante apoiar, suster e reforçar a criança no seu futuro quotidiano.
E como? Atendendo às suas necessidades com prontidão, e fazendo-a sentir que pode recorrer a um adulto de confiança face a uma situação angustiante, oferecendo-lhe o nosso apoio, o nosso colo, as palavras consoladoras, o peito perante a fome, a carícia perante o arranhão, o entusiasmo para enfrentar uma situação que lhe exija muito esforço físico ou mental, a mão no ombro… Estes são os elementos carinhosos que a ajudarão.
Se, como adultos, lhe falharmos nestes aspectos, semearemos a desconfiança, a insegurança e a desmotivação. Contribuiremos para instalar na sua mente sensações e percepções confusas que farão danos nas suas potencialidades e a deixarão em desvantagem face a outras.

O apoio familiar
Nos primeiros anos as crianças são mais maleáveis e mais permeáveis às mudanças. Por isso, a vulnerabilidade da sua estrutura psíquica leva-nos a reflectir sobre o mundo das crianças e no impacto que os nossos actos e palavras lhes podem promover. Como podem ser destruídas pelo abandono e pelo desamparo e como podem ser ajudadas e amorosamente apoiadas física e psiquicamente.
Por isso, pensemos na importância que tem uma palavra adequada num momento de desentendimento, ansiedade, perante situações novas ou de surpresa.
Uma criança que pode recorrer primeiro ao amparo e à segurança corporal dos seus pais ou da pessoa que cumpre a função materna, e mais tarde consegue tornar-se independente e a pouco e pouco utilizar os seus próprios recursos, é uma criança segura que depressa se tornará num adulto satisfeito e feliz.
Limites bem colocados
Favorecer o sentimento de segurança e confiança nela própria não quer dizer que se deva apoiar tudo o que faz, mesmo que esteja errado. Poder conhecer os seus limites e os alheios é benéfico para a construção da sua personalidade.
Lembre-se que uma criança tem uma grande necessidade de aprender, e assim como a protegemos dos possíveis riscos físicos, também devemos protegê-la da eventualidade de não encontrar determinadas barreiras e limitações que definam e que contenham as suas emoções, as suas angústias e ansiedades.
Podemos começar por lhes fortalecer desde muito pequenas a sensação de que são capazes de realizar muitas coisas que aparentemente não nos parecem importantes mas que para as crianças são valiosas. Por exemplo, quando identificamos o choro de um bebé adequadamente, sabemos que tem fome e damos-lhe o peito ou o biberão, ou então porque tem cólicas, movimentamos as suas pernitas ou fazemos-lhe uma massagem na barriguinha.
Quando lhe permitimos escolher entre dois objectos em vez de lhe impor um, ela fica a saber que também pode tomar decisões. Ou ao escutá-la e valorizar os seus trabalhos - desenhos, canções, as suas criações em barro ou plasticina, a sua ajuda para pôr a mesa ou arrumar os seus brinquedos - isso propicia a sua segurança e independência.
Lembre-se que é importante fazer os possíveis para que o seu pequenito se sinta activo, participante, reconhecido nas suas capacidades e por isso, seguro de si próprio. Tudo o que conseguirem, por mais pequeno que nos pareça, provocará neles a confiança e a alegria do êxito alcançado.
E embora às vezes nos impacientemos quando os nossos filhos demoram a concretizar uma acção quotidiana, é fundamental que respeitemos os seus ritmos.
Vestir a roupa sozinho e sem ajuda implica um enorme processo… Para facilitá-lo, é boa ideia preparar dois conjuntos, de maneira que ele possa optar, evitando o desanimador “O que é que vestiste?”, cada vez que a escolha nos pareça de “mau gosto”, e assim perder o mérito de tê-lo conseguido fazer sem a nossa ajuda.
É evidente que esta situação pode estender-se a outras circunstâncias e aprendizagens. Que a criança consiga sentir-se útil, considerada como um ser pensador e sensível, depende em parte do nosso papel como pais.
Estimulá-la e apoiá-la nos seus progressos são condições fundamentais para fortalecer os sentimentos de confiança e de segurança em si própria… uma herança essencial para a longo caminho da vida.

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Mais uma breve história: "Esta é a nossa casa"


Clube de Contadores de Histórias
Projecto: Abrir as portas ao sonho e à reflexão

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Esta é a nossa casa


O George estava dentro da casa.
— Esta casa é minha e ninguém pode entrar nela ─ disse.
— A casa não é tua, George ─ disse a Lindy. ─ Pertence a todos.
— Não, não pertence. Esta casa é só para mim! ─ gritou o George.
A Lindy e a Marly foram até aos baloiços.
— A casa não é do George, pois não? ─ perguntou a Lindy.
— Claro que não ─ respondeu a Marly.
A Lindy e a Marly espreitaram pela janela.
— A casa não é tua, George, e nós vamos entrar.
— Isso é que não vão! Esta casa não é para raparigas.
O Freddie estava a passar por ali com o Rabbity.
— Vou deitar o Rabbity ─ disse.
— Não podes ─ disse o George. ─ Esta casa não é para pessoas pequenas como tu.
O Freddie levou o Rabbity a dar uma volta de carro. A Charlene e a Marlene arranjaram a roda da frente. O Freddie queixou-se:
— O George não nos deixa entrar em casa.
A Charlene, a Marlene, o Freddie e o Rabbity foram direitos à casa.
— Alto aí! ─ gritou o George.
— Vamos arranjar o frigorífico ─ disseram a Charlene e a Marlene.
— Isso é que não vão! Esta casa não é para gémeas.
O jacto do Luther aterrou na casa. O Luther foi lá buscá-lo.
— Onde pensas que vais? ─ perguntou o George.
— O voo 505 despenhou-se e vou socorrer os passageiros. Fogo! Fogo! Ni-nó-ni! Ni-nó-ni!
— Não entras aqui! ─ opôs-se o George.
O Luther pediu auxílio por rádio:
— Dra. Sophie! Dra. Sophie!
— Em que posso ajudá-lo? ─ perguntou a Sophie.
— Não conseguimos chegar ao avião.
— Deixe isso comigo!
A Sophie e o Luther abriram caminho por entre a multidão.
— Abram alas para a médica ─ disse o Luther.
— Vamos entrar ─ anunciou a Sophie.
— Isso é que não vão! Esta casa não é para pessoas que usam óculos.
A Rasheda teve uma ideia:
— Vou escavar um túnel.
Enfiou a cabeça debaixo da casa.
— Vai-te embora. Esta é a minha casa ─ disse o George.
— E este é o meu túnel ─ retorquiu a Rasheda.
— Vai cavar túneis noutro lado. Esta casa não é para pessoas que gostam de túneis.
Ouvia-se agora muito barulho à volta da casa e estava calor. O George queria ir à casa de banho.
— Vou sair de casa ─ anunciou. ─ NINGUÉM PODE ENTRAR ENQUANTO EU ESTIVER AUSENTE.
Mal o George saiu, a Lindy, a Marly, o Freddie, o Rabbity, a Marlene, a Charlene, o Luther, a Sophie e a Rasheda entraram logo na casa. Quando o George voltou não havia lugar para ele.
— Esta casa não é para pessoas de cabelo ruivo ─ disse a Charlene.
O George começou a gritar, a chorar, a bater com os pés e a dar pontapés na parede da casa. Depois parou e pôs-se a olhar. Disse então:
— Esta casa É para pessoas de cabelo ruivo, para raparigas, para pessoas pequenas, para gémeas, para pessoas que usam óculos e para pessoas que gostam de túneis!
— Porque ─ gritaram a Lindy, a Marly, o Freddie, a Marlene, a Charlene, o Luther, a Sophie e a Rasheda ─ ESTA CASA É PARA TODOS!


Michael Rosen
This Is Our House
Massachusetts, Candlewick Press, 1996
Tradução e adaptação


sábado, janeiro 26, 2008

As cores e a vida


As cores criaram a vida…

Um dia, o preto e o branco encontraram-se numa bola de vidro tão transparente, que até parecia invisível. Com eles estava uma borboleta com muitas cores.

O preto e o branco olharam espantados um para o outro e perguntaram-lhe como tinha sido pintada.

Na Natureza, o azul, depois de ter criado o céu e o mar, encontrou-se com o verde, que já tinha criado os campos, as árvores e as ervas.

Tiveram um longa conversa e o verde resolveu dar as mãos ao vermelho para nascer o castanho; assim, os troncos das árvores ficaram todos contentes por terem uma nova cor. O azul-pai explicou ao céu que não sabia como tinha nascido; ele só sabia que tinha dois irmãos, o vermelho e o amarelo.

Um dia, o sol tinha-lhe contado que a sua cor surgira quando, uma vez, uma nuvem amarela se cruzara com uma vermelha. Depois ele ajudou o verde a colorir os campos e as flores. O vermelho e o amarelo, de mãos dadas, já tinham pintado todas as flores e os frutos, mas os animais andavam muito tristes, porque eram todos da mesma cor.

Então a borboleta, como voava muito bem, ajudou-os a vestirem-se das cores lindas que têm hoje e, como recompensa, todas as cores deram as mãos e ofereceram à borboleta um bocadinho de cada tom:
— É por isso que nas borboletas tu encontras, de certeza, todas as cores do mundo.


Pedro Alvim
As cores e a vida
Lisboa, Editora Plátano, 1981

segunda-feira, janeiro 21, 2008

Para uma compreensão da actividade do PIPREM em 2007

A entrada de um novo ano pressupõe o pensar novas metas, novos objectivos, pensar o crescimento. Mas também é tempo de reflectir sobre o trabalho realizado no ano anterior. Aqui fica um pequeno resumo desse trabalho.

EM REGUENGOS DE MONSARAZ

População atendida em Reguengos de Monsaraz no ano de 2007
Num total de 92 famílias apoiadas.
Tipo de família

Dimensão do agregado familiar

Situação dos pais perante a actividade económica


Residência

Problemática da criança


Sinalizações recebidas no ano de 2007


Local onde é prestado o apoio


N.º de crianças apoiadas por modalidade de intervenção


Crianças saídas do programa em 2007

EM MOURÃO

População atendida em Mourão no ano de 2007

Num total de 37 famílias apoiadas.

Tipo de família

Dimensão do agregado familiar

Situação dos pais perante a actividade económica

Residência

Problemática da criança

Sinalizações recebidas no ano de 2007

Local onde é prestado o apoio

N.º de crianças apoiadas por modalidade de intervenção

Crianças saídas do programa em 2007

quarta-feira, janeiro 09, 2008

A CRIANÇA E A VIDA

Companheira do sol e das raízes, cheguei à grande cidade.
Numa mão levava o diploma, na outra, o medo. O resto era a história antiga da minha solidão e da minha esperança...
A escola que me deram não era um desses poéticos lugares, brancos e cheios de flores com que sonhamos no fim do curso: era um velho primeiro andar, de uma rua suja de sal, pregões e humidade. Os rapazes que me deram também não tinham nada de comum com esses meninos de bata branca, normais, nos primeiros dias de aula, e que as mãezinhas nos entregam como se fossem de porcelana.
Lembro-me desse nosso primeiro encontro, tão comovidamente, que receio não encontrar a palavra exacta para o esboçar. Abri a porta e eles entraram. Eram quarenta e cinco e faltavam carteiras. Faltavam muitas carteiras, mesmo quando os sentei três a três e pus cinco na mesa que me destinaram para secretária. O director chegou e disse: — Este é o seu reino e aqui tem os seus «meninos». E sorria. — Se tiver sarilhos — há-de tê-los, mas não estranhe — a esquadra da polícia fica no fim da rua. E eu estou ao seu dispor. Para as necessidades imediatas, aqui tem isto. Tem de escolher desde o princípio: ou a Senhora, ou eles. Sem complacências, se quiser sobreviver. Lamento dar-lhe a escória. Mas, paciência.
Desceu a escada.
E eu fiquei ali, face à nova aventura.
O silêncio que me envolveu era um silêncio pesado, expectante. E, no meio do silêncio, eles ali estavam, na manhã que nascia. Esculpidos em vento e mar.
Vinham dos barcos ancorados no cais, do bairro de lata, de sabe- -Deus-donde. Traziam nas mãos, em vez de mala e livros – não sei porquê, mas traziam – folhas de plátano e ramos de amendoeira florida. O Outono dourava-lhes os cabelos.
Eram sementes vivas da mais autêntica liberdade e não sabiam nada de preconceitos, nem de palavras, nem de coisa nenhuma.
Olhei-os também em silêncio. Um por um. Longamente. Depois, peguei na régua que o director acabara de oferecer-me como apoio e dei-a ao que me pareceu mais velho: Toma! Vai atirar fora. E depois, não sei o que lhes disse. Mas a fome de ternura era neles como o sol, a chuva e o desconforto. E como éramos primários, pobres e sozinhos, estabelecemos desde aquela hora um entendimento lúcido e discreto.
E foi assim que ficámos solidários e Amigos – Para – Sempre.
Aprendi então que a Verdade é uma palavra real.
E a Lealdade, também.
Depois, muitos vieram: da Europa, da África, das ilhas perdidas do Atlântico. Mas ali, na escola húmida e despojada, é que aconteceu o milagre que nunca mais se repetira.
Tenho-me perguntado muitas vezes porquê. E cada vez vou tendo mais a certeza que o excesso de conforto destrói o Rosto Iluminado do Homem. Aqueles não tinham, não esperavam, nem pediam nada: por isso, estavam disponíveis para tudo. Os passeios que demos, as notícias que comentámos, os poemas que lemos, a vida que conscientemente os ajudei a desventrar, foram a sua primeira riqueza e fizeram crescer na «escória» uma branca flor de fraterna alegria.
Foi como se um vento de loucura nos tivesse perturbado a todos, e o mundo estivesse suspenso do que fizéssemos. E nas paredes sujas da sala, pintámos o sol e pássaros verdes. E nos buracos dos tinteiros partidos nasceram flores. Eles eram a Terra quente e aprenderam a amá‑la também. E a pobreza que os esboçava começou a ser um pretexto, não para a sua derrota, mas para a sua dignidade e a sua força.
A alegria daqueles rapazes contagiava os indiferentes e as pessoas, muitas, muitas: poetas, professores, pintores, operários, sentiam que junto deles as manhãs eram mais claras e a fome mais terrível. Hoje, alguns serão operários honestos, ardinas apressados, vendedores ambulantes; outros serão marinheiros, outros, sei lá o que serão! Sei lá o que a vida fez deles!
Estas páginas são uma homenagem que lhes devo. Guardei-as, dia após dia, ano após ano, até os perder nos novos caminhos que tive de pisar, como um testemunho. Oxalá alguns deles possam ler estas linhas e reencontrar-se nelas.
Não eram génios, nem poetas, nem meninos-prodígios. Eram filhos de pescadores, de varinas, de ladrões-de-coisas... essenciais-ao-dia-a-dia. Moravam em casas com buracos e dormiam nos barcos, no vão das portas, nos degraus da doca, em qualquer sítio. Alimentavam­‑se de um bocadinho de pão, de um peixe assado e às vezes de água. Apenas.
Tinham oito, nove, dez, onze, quinze anos, mas conheciam as mil maneiras de escapar aos polícias, de viajar de borla, de sobreviver. Os dias eram-lhes duros e comprados com muita coragem e destemor. Por isso custei a entender – ENTENDI!? – como a Poesia foi para eles tão violenta e tão fácil. Pediam para fazer poemas, como quem pede o pão da fome. A princípio a medo, ingénuos. Depois, a mergulharem na aventura da palavra com uma dor e uma lucidez já adultas.
Quando em 1960 expus a primeira colectânea de textos destes rapazes, ilustrados por alguns dos nomes mais válidos da nossa pintura, o ambiente que cercou a exposição, ao verem a idade dos autores, foi de suspeita e dúvida. Quando eles apareciam, desgrenhados e sujos – a hilariedade era quase completa. Saí de lá muitas vezes a apetecer-me rebentar a cara das pessoas, como o Mário e o Zé rebentaram os vidros da casa de uma senhora que duvidara da autenticidade do que estava exposto. E eram eles que me confortavam, soberanos: — Senhora! Deixe lá. Têm a cabeça cheia de vento. Não percebem nada.
Entrava na escola e olhava para Cristo. Sorríamo-nos.
E ficava tudo certo, outra vez.
Mas ensinaram-me que, quando se é humilhado naquilo que em nós é claridade e certeza, aprende-se mais depressa o sentido exacto da liberdade, da paz, do ódio, do amor e do ridículo do quotidiano.
Eles revelaram-me que a miséria transforma as crianças, mais que os adultos, em anjos implacáveis de lucidez, e que a fome os ateia e lhes faz crescer nos olhos brancas e terríveis asas de sonho ou destruição. E há, nestes anjos de fogo, uma voz oculta e violenta em que é preciso, é urgente, meditarmos. Ela pode denunciar, construir ou semear a alegria, a vergonha ou o remorso.
Ela pode ser a semente da Esperança, da Paz entre os homens.
Ela pode ser o ódio.
Ela pode ser o Amor.

Maria Rosa Colaço
A Criança e a Vida
Lisboa, Ed. Ulmeiro, 1996
Adaptação

quinta-feira, janeiro 03, 2008

Curso "O Desenvolvimento da Linguagem: Avaliação e intervenção em Equipas Transdisciplinares

dias 11 e 12 - Janeiro - 2008, no Auditório do IPJ (Instituto Português da Juventude) - Coimbra.

Mais informamos que a ANIP fará um preço especial (38,00 euros) para os técnicos de Intervenção Precoce (Aveiro, Alentejo e Coimbra). Aquando da inscrição deverão mencionar que integram uma Equipa de IP / Distrito ou Região.

ANIP - Associação Nacional de Intervenção Precoce
Av Dr Bissaya Barreto (Hospital Pediátrico - Pav. Azul)3000-075 COIMBRA
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quarta-feira, janeiro 02, 2008

Estilos Parentais – Diferentes Formas de Educar

No sentido de melhor compreender os estilos de educação adoptados pelos pais e suas consequências, vários são os autores que têm contribuído para uma classificação dos estilos parentais de forma a poder avaliar o seu impacto no desenvolvimento psicossocial da crianças e prevenir que os mesmos sofram algumas consequências nefastas, bem como promover hábitos saudáveis para a relação pais-filhos.

Considerando alguns estilos considerados por Baumrind (1971), verificamos bastantes diferenças na relação educativa, ao nível do calor afectivo, controlo, comunicação e/ou exigência de maturidade:
¨ Estilo Autoritário, em que há uma tentativa de controlar e modelar, de forma rígida, as atitudes da criança. Estes pais valorizam uma obediência absoluta, recorrendo a medidas punitivas (verbais ou físicas) para que esta se comporte de acordo com a sua exigência. São frequentes as críticas ou ameaças à criança (“se não fazes os trabalhos, deixamos de gostar de ti!”; “és um inútil, nem tirar boas notas consegues!”), havendo escassas manifestações de afecto;
¨ Estilo Permissivo, em que os pais funcionam como recursos para os desejos das crianças, e não como modelos. Neste estilo existe a ausência de normas, não encorajando qualquer obediência. Há geralmente calor afectivo e comunicação positiva, sem exigências de maturidade. Em 1983, este estilo foi dividido em dois (Maccoby & Martin):
o Estilo Indulgente, em que os pais respondem aos pedidos das crianças e são carinhosos, não sendo exigentes quanto a normas ou deveres, nem actuando como modelos de comportamento;
o Estilo Negligente, em que os pais não se envolvem nas suas funções parentais, havendo uma desresponsabilização crescente ao longo da vida da criança, mantendo apenas a satisfação de necessidades básicas (físicas, sociais, psicológicas e intelectuais);
¨ Estilo Participativo ou Autoritativo, em que há o estabelecimento de normas e limites, num clima de calor afectivo. A comunicação é positiva e optimista. Estes pais adequam a sua atitude à especificidade da criança, no tocante à sua idade e motivações, fazendo exigências de maturidade concordantes com as capacidades e interesses da criança.

A investigação tem demonstrado que pais que adoptam um estilo parental participativo têm filhos com maior sucesso escolar e social. De facto, se é importante que os filhos tenham boas notas, o amor parental não é condicionado por esse facto.

É importante que as crianças sintam que os pais os amam incondicionalmente, mesmo quando estabelecem limites (que naturalmente serão questionados pelas crianças e jovens), quando dizem ‘não’ ou quando os filhos cometem erros, e que estas posturas sejam acompanhadas de uma explicação ou reflexão conjunta sendo que, em algumas situações, possam ser negociadas.

O percurso no sentido do sucesso nas funções parentais é construído em cada dia e, não obstante a investigação nos dar várias noções que potenciam uma educação mais eficaz, não há uma linearidade que tão frequentemente pais e educadores procuram.

De facto, o desenvolvimento social e afectivo de uma criança é condicionado fortemente pela educação parental, mas outras variáveis têm influência, como o meio escolar, os amigos, as famílias alargadas, ou mesmo a sociedade em que se encontra. Deste modo, poderemos encontrar excepções em que filhos de pais com um estilo participativo poderão ter menores resultados ao nível escolar e social, ou o inverso poderá ocorrer com filhos de pais com um estilo negligente de educação.

De modo geral, os estudos apontam para que os filhos de pais autoritários sejam obedientes, mas com maiores níveis de ansiedade, mostrando-se inseguros e infelizes, com baixa auto-estima e um índice elevado de depressão. Sendo os filhos de pais negligentes que apresentam maiores fragilidades do ponto de vista psicológico, emocional e social.

A arte de educar é um processo em que os pais vão evoluindo a par do desenvolvimento dos seus filhos. É fundamental que os pais encarem a parentalidade com humildade que lhes permita continuar a reflectir e procurar dar o melhor de si, respeitando a individualidade da criança e promovendo espaços e actividades em que esta possa desenvolver competências sociais e emocionais, já que estas são as chaves para um maior bem-estar.

Catarina Rivero

Um bom ano de 2008 é o desejo do PIPREM


quinta-feira, dezembro 20, 2007

Para reflectir um pouco....

Crónica de Daniel Sampaio BRINCAR


Nunca pensei que os gerentes da Duracell se preocupassem com estudos sobre pais e filhos. Para mim, mandavam numa simples fábrica de pilhas, capazes de fazer correr sem parar um irritante coelhinho! Ideia preconcebida: acabam de publicar um estudo com 900 crianças, onde se demonstra que as portuguesas são as que diariamente menos brincam com os pais. Só seis por cento dos nossos meninos admite brincar com os pais todos os dias, um número muito abaixo da média europeia, onde uma em cada cinco crianças tem momentos diários de divertimento com a família. Como chegámos a esta triste situação? Basta olhar em redor e compreenderemos tudo. O governo falhou na política de apoio à família e muitos dos nossos pais têm má qualidade de vida: salários baixos, empregos instáveis, maus transportes, pouco enquadramento e deficiente articulação com as escolas, como podem ter disponibilidade ou sequer desejar mais filhos? Outros não têm dificuldades financeiras de maior, mas padecem de egoísmo ou vivem na crença de que educar é uma tarefa esgotante, por isso o que importa é arranjar brinquedos para "entreter" os mais novos: já basta o trabalho para os fatigar, em casa é preciso "distrair", "desanuviar" ou "descansar". Deste modo, são bem vindos os novos brinquedos electrónicos: com a destreza das crianças de agora, depressa aprenderão como os manipular e não importunarão os adultos por largos momentos. A consola de jogos, o computador e a televisão transformaram-se assim na "baby-sitter" dos tempos modernos, a garantia de que os mais novos estarão ocupados por umas horas: com trabalhos de casa feitos à pressa e uma refeição rápida, depressa se chega à hora de deitar, amanhã correrá melhor! Mas não corre: em todo o lado vemos crianças inquietas com incapacidade de pensar, irritáveis por sono insuficiente, indisciplinadas na escola por ausência de limites em casa, com dificuldades na leitura e na escrita. Por exemplo, já experimentaram pedir a uma criança de oito anos para ler um texto em voz alta? O resultado é surpreendente: gagueja, ignora a pontuação e depressa se fatiga, porque não está habituada a ler em público, só é treinada para descodificar símbolos do "gameboy" ou da "play-station". Que saudades das crianças que brincavam na rua, que jogavam à bola na praceta ao pé de casa ou que fugiam para se divertir em casa dos vizinhos! Hoje saem da escola a correr, trazidas por pais apressados que as depositam no judo, na música, na natação ou no explicador, para mais tarde serem recolhidas à pressa, só a tempo de uma refeição apressada antes de tentarem dormir...
Que fazer? Em primeiro lugar, lutar para que tudo isto se altere. Passar a mensagem de que o jogo é a melhor maneira de as crianças aprenderem tudo: se for fornecido um contexto que permita a uma criança o relacionamento tranquilo com um adulto, ela será a primeira a aprender a importância da sua relação com os mais velhos e, movida pela sua curiosidade natural (existente em todas), esperará a brincadeira mais ou menos divertida, mas sobretudo terá a certeza que a sua fantasia crescerá. Tudo isto poderá ser feito sem brinquedos, com as mãos de pais e filhos e o corpo de todos, sem apitos electrónicos ou ecrãs tecnológicos individuais, a dificultarem a simples troca de olhar em família. E as emoções desencadeadas pelos brinquedos de hoje, quem as conhece, se depressa são descarregadas no jogo seguinte? Não podemos esquecer que educar consiste em a pessoa se oferecer como modelo. Uma pessoa fica "educada"quando cresceu e já é capaz de se constituir como um exemplo a seguir: quando um irmão imita o mais velho é porque este desempenhou um papel capaz de ser seguido (esperemos que no sentido positivo) pelo mais novo. Mais do que os livros ou revistas, que embora cruciais podem dar olhares perturbados da realidade (sobretudo se não os lermos em conjunto com os mais novos); mais do que recomendações palavrosas de pais para filhos, tantas vezes não ouvidas ou depressa esquecidas; muito mais do que o último jogo de computador, em breve substituído pelo que acaba de sair, ou consumido a correr para alcançar o objectivo de "vencer mais um obstáculo", a resposta está no olhar da criança que nos pede: "Podes brincar comigo?"

terça-feira, dezembro 04, 2007

O amor passa gerações

Clube de Contadores de Histórias
Projecto: Abrir as portas ao sonho e à reflexão
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O cestinho de romãs

inspirado numa história
tradicional portuguesa


Não havia ninguém que gostasse tanto de romãs como a avó Adelina! Gostava de as olhar, de as pôr bem no centro da mesa a enfeitar o dia, e também de as comer, de se deliciar com os seus grãozinhos doces.

Por isso, a sua amiga Miquelina lhe ofereceu, por altura do Dia de Reis, um cestinho de romãs.
A avó Adelina agradeceu-lhe muito, de olhinhos a brilhar, mas depois pensou:
"Vou dar este cestinho de romãs à minha filha Maria!"

Pegou numa folha de papel branco e fez um lindo guardanapo recortado, com o qual forrou o cestinho. Depois, foi a casa da filha. Viu que ela não estava em casa e resolveu deixar-lhe o cestinho em cima da mesa da sala de jantar. Como ela ia ficar contente! Em cima do guardanapo de papel recortado, as romãs ainda pareciam mais rainhas.

Quando a filha chegou a casa e viu as romãs, ficou admirada e logo teve uma ideia:
"Vou dar este cestinho de romãs à minha filha Aninhas!"

E se bem o pensou, melhor o fez. Levou o cestinho para casa da sua filha Aninhas, que tinha acabado de casar e ainda andava a arrumar os tarecos. Como ela ia ficar contente!

Como a filha tinha saído para comprar pão, deixou-lhe o cestinho de romãs em cima de um aparador e foi-se embora em bicos de pés, a sorrir da surpresa que lhe tinha feito.

Quando a Aninhas chegou a casa, ficou admirada e logo teve uma ideia:
"Vou dar este cestinho de romãs à minha avó Adelina!"

Ela sabia muito bem que o melhor presente que a sua avó poderia receber era, sem sombra de dúvida, um cestinho de romãs. Por isso, entrou muito sorrateira em casa da avó, que por acaso tinha deixado a porta aberta e cantarolava lá ao fundo, no quintal, e com muita cautela pôs o cestinho em cima da mesa. Depois, em bicos de pés, saiu e foi para sua casa, a sorrir da surpresa que a avó ia ter.

E foi mesmo uma surpresa! Quando a avó Adelina viu o cestinho, já seu conhecido, em cima da mesa, a enfeitar o dia e o seu coração, duas lágrimas de ternura escorreram-lhe pelas faces enrugadas. Aquelas eram as mais lindas romãs que havia em todo o mundo.



Maria Alberta Menéres
O livro de Natal
Porto, Porto Editora, 2003
Adaptação
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Caros Colegas,

Nestes tempos tão apressados, em que não há lugar para a reflexão e em que as preocupações materiais se sobrepõem ao prazer das coisas simples, a leitura de pequenas histórias, repassadas de humanidade e de beleza, pode contribuir de uma forma significativa, para um alargar de horizontes que a sociedade tem querido, por força, restringir às superficialidades e canseiras do dia-a-dia.

Da constatação deste facto, nasceu, na Escola Secundária com 3º ciclo do Ensino Básico Daniel Faria – Baltar, o Clube de Contadores de Histórias, com a finalidade de levar às diferentes turmas da referida escola histórias capazes de proporcionarem momentos de diálogo, de reflexão e de sonho, que tão necessários se tornam para a libertação de tensões e para o despertar do gosto pela leitura, da qual andam os jovens de hoje bastante alheados.

O projecto teve a adesão entusiasta de bastantes alunos, quer do Ensino Básico quer do Ensino Secundário, que se dispuseram a partilhar com os colegas a sua experiência de descoberta das pequenas histórias e do seu universo de valores. A tolerância e a generosidade, a delicadeza e a rectidão, o respeito pela Natureza, a capacidade de sonhar, são princípios que é necessário inculcar nos jovens, já que tantos se encontram à deriva numa sociedade que diz defender os direitos destes, mas que, na realidade, apenas pretende explorar as suas fragilidades com o fito do lucro. É confrangedor ver-se tantas crianças e adolescentes influenciados por programas televisivos francamente medíocres, quando se poderia optar por propostas de qualidade, capazes de promover os valores da verdadeira cultura, que é aquela que assenta no respeito por si próprio e no respeito pelos outros.

Cabe à escola tentar contrariar a vertente massificadora de certa comunicação social, incutindo nos alunos o gosto pela leitura e ajudando-os a crescer em sensibilidade. A violência na escola deve-se, em grande parte, a uma educação de natureza materialista, que tem descurado a formação do carácter em proveito de conteúdos muitas vezes estéreis. A pouca adesão dos alunos às matérias leccionadas é um sinal claro de que a escola necessita de mudanças, não no sentido das reformas educativas implementadas, quase sempre geradoras de instabilidade e de desorientação, e muito menos em nome de um economicismo que a nada leva, mas sim no sentido de promover os valores fundamentais do carácter, sem os quais nenhum ser humano poderá crescer em dignidade e em esperança: o espírito de diálogo e de solidariedade, a compaixão pelos que sofrem, a discrição e a simplicidade, em oposição ao exibicionismo tão em voga, a delicadeza e a compostura, a honestidade.

As pequenas histórias que o Clube de Contadores tem procurado divulgar no âmbito da escola, transmitem, de uma maneira simples e acessível às diferentes faixas etárias, esses mesmos valores, que um ensino de carácter demasiado informativo e tecnicista relegou para segundo plano e que uma sociedade baseada no princípio da aparência se tem encarregado de anular.

Na sequência disso, decidiu o referido Clube tornar o seu projecto extensivo não só aos professores da Escola Secundária com 3º Ciclo Daniel Faria – Baltar, mas também aos professores de outras escolas, na convicção de que as histórias partilhadas serão motivo de satisfação e de descoberta para quem as ler e ouvir, passando assim a ser enviadas por e-mail semanalmente. Gostaríamos muito que os professores que as receberem e as apreciarem procedam ao seu reencaminhamento, para que o maior número possível de pessoas venha a beneficiar com a sua leitura.

Gostaríamos também de receber as vossas opiniões sobre este projecto.

Certos do vosso melhor acolhimento



O Clube de Contadores de Histórias
contadoreshistorias@gmail.com
http://www.prof2000.pt/users/historias/

Biblioteca da Escola S/3 Daniel Faria – Baltar