sexta-feira, março 28, 2008

Medos


Medo de fantasmas, de bruxas, do escuro. São esses, entre outros medos e pavores, que surgem na imaginação das crianças e que fazem com que suas noites se tornem um pesadelo. Mas tais medos são normais na fase infantil, pois a criança possui uma imaginação muito forte que faz com que tudo que aprenda ou descubra torne-se real.
Os primeiros sinais de sustos e medos começam por volta dos 7 ou 8 meses, quando os bebês costumam estranhar ambientes e pessoas com as quais não estão acostumados. Já com 2 anos é comum a criança ter medo de ser abandonada pelos pais.
Mas é a partir dos 3 anos de idade, quando sua imaginação está a todo vapor, que aparecem os medos mais intensos e abstratos, como do escuro, de bruxas, fantasmas, monstros e bichos papões. Como resultado do pensamento mágico típico desta idade, todos os tipos de medos tornam-se reais e lógicos na mente da criança.
Freqüentemente os pais ficam confusos e não sabem como lidar com esta situação. Uma boa maneira de auxiliar a criança a vencer seu medo consiste em fazê-la participar da procura de métodos práticos de lidar com a experiência assustadora.
Às vezes, o simples fato de manter acesa uma luz fraca no quarto durante a noite é suficiente para assegurá-la de que não há monstros espreitando no escuro. Outra forma consiste em mostrar o objeto que traz medo à criança numa situação em que ela sinta-se segura. Este tipo de exposição a um modelo, ou seja, a demonstração de que outros não têm medo, pode ser um método efetivo.
A cumplicidade também é um método eficaz: os pais podem ajudar seus filhotes contando que também tinham medos quando eram pequenos. E até mesmo reconhecer que ainda hoje tem alguns medos.
O medo faz parte da vida da criança, embora ela ainda não tenha condições emocionais para enfrentá-lo. Por esta razão, todos os medos de seu filho, alguns absurdos, outros nem tanto, merecem o maior respeito. De nada adianta o adulto fingir que não notou. E nem insistir em dizer que não tem bicho nenhum atrás da cortina ou que fantasmas não existem.
Conversar com a criança sobre o assunto, levá-la a revelar - no meio de uma historinha, por exemplo - o que a deixa assustada, isto sim, pode ajudar bastante. O simples fato de poder compartilhar com alguém querido qualquer experiência vivida traz alívio aos pequeninos. Deixe a criança falar, dividir o peso de suas angústias. Afinal, até os bebês, algumas vezes, se sentem amedrontados, tensos ou angustiados.

Rafaela Rosas

quarta-feira, março 26, 2008

Viciados na chupeta


Alguns bebés começam a chuchar ainda dentro do útero. Não admira por isso que, mais tarde, a chupeta possa tornar-se um objecto indispensável.


Chuchar é um reflexo instintivo. É a forma que os bebés têm de gerir o seu próprio stress. Alguns preferem o dedo, outros a chupeta. Outros nem uma coisa, nem outra. Chuchar não significa, necessariamente, falta de tranquilidade. Muitos bebés que chucham são calmos, "pacíficos", bem adaptados ao ambiente, sem qualquer sintoma de stress mal gerido. No entanto, por ser uma actividade repetida e rítmica, o chuchar desempenha uma função relaxante. As chupetas vieram substituir o dedo. Estimulam o reflexo de sucção e tornam-se um complemento do acto de mamar. Podem funcionar, por isso, como um estímulo afectivo, fazendo com que o bebé se sinta mais seguro e tranquilo. Daí que, em momentos de maior agitação, a chupeta seja, de facto, uma boa aliada dos pais na tentativa de acalmar o bebé.
Mas... Algumas crianças - a maioria, provavelmente - são imediatamente confrontadas com a chupeta, mal acabam de sair da sala de partos. Ainda que muito comum, esta situação pode trazer algumas consequências negativas. Quando um bebé está a adaptar-se ao mamilo da mãe - tarefa que pode demorar uns dias até ser plenamente entendida por ele -, a introdução da chupeta poderá dificultar essa aprendizagem, uma vez que para mamar na chupeta o bebé não precisa de abrir tanto a boca e, se utilizar a mesma técnica com o peito da mãe, vai extrair pouco leite. Ou seja, vai ficar com fome e causar stress na mãe, tudo factores que propiciam a diminuição da saída de leite e o aparecimento de dores e gretas no mamilo da mãe. Por outro lado, o cheiro e a textura da borracha ou silicone podem constituir uma fonte de "baralhação" para a criança, na altura de pegar no peito e dificultar a amamentação. Vários especialistas defendem, então, que o melhor para o bebé é não ser confrontado com a chupeta, pelo menos nos primeiros dias de vida, de modo a que não haja interferências na adaptação à mama da mãe.
Problemas dentários? A chupeta pode trazer alguns problemas no que toca ao desenvolvimento dos maxilares e dentes. Segundo os especialistas em medicina dentária, o uso exagerado da chupeta pode relaxar os músculos labiais, sobrecarregando os músculos das bochechas. Uma situação que pode fazer com que as arcadas dentárias se desenvolvam de forma anormal, em sentido anterior, ou seja, para fora. Isto não é, obviamente, regra para todas as crianças. Muitas utilizam a chupeta durante vários anos e nunca chegam a apresentar problemas deste tipo. O ideal, para que este tipo de situação não se torne irreversível ou difícil de "tratar", é que a criança abandone a chupeta até aos três anos de idade.
Deixar a chupeta Este pode ser um processo difícil, mas se a iniciativa for da criança, sem pressões ou ameaças dos pais, será, seguramente, mais fácil. Ofereça estímulos positivos (por exemplo: "Já estás a ficar crescido. Um dia destes nem precisas da chupeta"), em vez de ameaças, chantagens ou tentativas de "comprar" a vontade da criança.
Chupeta não substitui atenção Quando um bebé é "viciado" na chupeta, esta corre o risco de deixar, com o tempo, de ser um simples objecto calmante. Passa a ser um objecto de consolo. É talvez aí que reside o seu verdadeiro perigo: muitas vezes, a chupeta é vista pelo adulto como a única resposta para o choro da criança. É uma solução rápida, instintiva, que os pais, muitas vezes, apresentam ao filho, sem averiguarem as causas do choro e sem tentarem consolar o bebé com palavras e conforto. Ora, a chupeta não substitui o afecto e a atenção de que o bebé precisa. Não pode ser a solução indistinta para o choro. Se um bebé chora porque lhe falta alguma coisa, porque tem necessidade de afecto, de comida ou outra, é errado resolver sempre o problema oferecendo a chupeta. Só servirá para fazer dele uma pessoa frustrada e derrotista.

Pais e filhos

segunda-feira, março 17, 2008

Educação intuitiva

OS OITO PRINCÍPIOS DA EDUCAÇÃO INTUITIVA

1. Preparação para o parto
A ligação precoce com o bebé começa com a preparação pré-natal e a participação atenta e activa no parto. É possível tomar decisões fundamentadas sobre o tipo de parto que deseja e que irá ajudar a criar uma experiência positiva para si e para o seu bebé.
COMPROMETA-SE A MANTER UMA RELAÇÃO FORTE COM O SEU COMPANHEIRO: Discutam antecipadamente a filosofia de educação. Independentemente de os pais viverem juntos, é muito importante que, ao tomar as decisões, as necessidades e bem-estar do bebé estejam em primeiro lugar.
EDUCAÇÃO PRÉ-CONCEPÇÃO: Sempre que possível, prepare-se mental, física e espiritualmente antes de conceber uma criança. Leia, faça perguntas e tome muito cuidado consigo, seguindo uma dieta nutritiva e fazendo exercício regularmente.GRAVIDEZ: Crie um ambiente uterino pacífico evitando o stress. Os sentimentos e experiências da mãe afectam o bebé em desenvolvimento.
DECIDA-SE POR UMA EDUCAÇÃO CONSCIENCIOSA: Aprenda e compreenda o que é ter um filho.
ESTEJA ATENTA E ACTIVA DURANTE O PARTO DO SEU BÉBÉ: Prepare-se, aprenda o que esperar e compreenda as opções que tem à sua disposição. Em geral, quanto menos invasivo for o parto, melhor para a mãe e o bebé.
PARTICIPE EM AULAS DE PREPARAÇÃO PARA O PARTO E DE AMAMENTAÇÃO: São importantes para ajudar os pais a tomar decisões fundamentadas.

2. Reacção emocional
Compreender e responder de forma sensível às necessidades emocionais do seu bebé é a pedra basilar da Educação Intuitiva. Lembre-se de que chorar é a forma do seu bebé lhe dizer que está perturbado/a. Criar um laço ou ligação forte como seu bebé é mais do que simplesmente cuidar das necessidades físicas do bebé; inclui também passar tempo agradável interagindo com o seu bebé ou criança diariamente. O processo de ligação é consideravelmente potenciado quando os pais iniciam a brincadeira e interacções animadas.Não tenha receio de se apaixonar pelo seu bebé.
As origens e motivos comuns para o choro incluem fome, cansaço, desconforto e solidão.Outros motivos para o choro são:
1. Stress devido a excesso de estimulação
2. Sentir o stress da mãe
3. Necessidade de que lhe peguem ao colo ou o deitem
4. Necessidade de contacto pele contra pele para se sentir seguro
5. Gases e/ou cólicas
6. “Muito necessitado” é um termo utilizado para descrever o temperamento de bebés que estão frequentemente irrequietos. Estes bebés podem necessitar de muito contacto físico próximo, movimento ou atenção afectuosa. Podem também ser sensíveis a um certo alimento sólido ou alimentos ingeridos pela mãe.

3. Amamente o seu bebé
A amamentação satisfaz as necessidades do bebé relativamente à melhor nutrição possível e contacto físico. A amamentação traz muitos benefícios para o bebé, a mãe e a sociedade, e é a forma mais natural de satisfazer a maior parte das necessidades físicas do bebé. Embora a amamentação seja a forma ideal de alimentar um bebé, os pais que não amamentam podem mesmo assim praticar a Educação Intuitiva. Encorajamos os pais que alimentam o bebé com biberão a adoptar comportamentos de "amamentação". Por outras palavras, pegue no seu bebé, fale-lhe e mude de posição enquanto dá o biberão. Evite a tentação de deixar o bebé só com o biberão, dado que o seu bebé irá beneficiar bastante com o seu contacto e colo.
Vantagens para a mãe e família:
1. Poupa dinheiro - o suficiente durante um ano para comprar um grande electrodoméstico
2. Poupa tempo - não há leite para preparar ou biberões para lavar
3. Prático em casa e em viagens
4. Activa hormonas maternas que promovem comportamentos de ligação e acalmam a mãe
5. Ajuda a mãe a descansar mais
6. Ajuda a proteger a mãe contra o cancro da mama
Vantagens para o bebé:
1. Concebido biologicamente para o bebé humano, contém os nutrientes necessários e na quantidade adequada; é de fácil digestão
2. Confere imunidade a certas doenças e viroses
3. Protege contra alguns tipos de cancro, de acordo com as mais recentes investigações
4. Mantém o bebé próximo da mãe e oferece conforto
5. Ajuda a fortalecer os maxilares, olhos e a formação dos dentes
6. Menor probabilidade de desenvolvimento de alergias
Evite reger-se pelo relógio ou calendário. Siga as pistas do seu bebé em vez do relógio ou do calendário. O desmame é um processo mútuo determinado pela preparação do bebé e da mãe (“Desmame em cooperação”). O código da Organização Mundial de Saúde (O.M.S.) recomenda a amamentação até aos dois anos de idade, no mínimo.
Se der o biberão, adopte comportamentos de amamentação:
1. Pegue no seu bebé quando lhe der o biberão, nunca o deixe a só com biberão.
2. Estabeleça um bom contacto visual nos momentos em que o seu bebé está atento e interessado.
3. Mude de posição de um lado para o outro; isto ajuda a fortalecer os olhos do bebé.
4. Fale ao bebé de forma carinhosa nos momentos em que lhe dá o biberão.

4. Transportar o bebé ao colo: o contacto afectivo
Transportar o bebé pegando-o ao colo ou utilizando porta-bebés de materiais suaves que mantêm o bebé próximo satisfaz as necessidades do bebé quanto a contacto físico, segurança, estimulação e movimento, que promovem o desenvolvimento óptimo do cérebro. Os bebés a quem é dado muito colo choram menos. O contacto afectivo através da massagem do bebé é uma outra forma excelente de acalmar o bebé e promover o seu desenvolvimento.· Dar colo ao bebé ajuda a satisfazer as necessidades do bebé de proximidade, contacto e afecto.· Dar colo ao bebé promove e reforça a ligação emocional dos pais com o bebé.· O movimento que resulta naturalmente de transportar o bebé ao colo estimula o seu desenvolvimento neurológico.· Os bebés choram menos quando transportados ao colo.· Pegar no bebé ao colo ajuda a regular a sua temperatura e ritmo cardíaco.· O bebé sente-se mais seguro.
Se não transportar o bebé ao colo, esteja atenta:
1. Dê colo ao seu bebé sempre que possível (especialmente se dá biberão).
2. Evite a utilização excessiva de dispositivos para bebés (baloiços, chupetas, baloiços, porta-bebés de plástico).
· Transportar o bebé ao colo facilita as saídas e viagens.· Os bebés que recebem contacto afectivo através de massagem, colo e outras formas de contacto físico afectuoso ganham peso mais rapidamente, são mais calmos e têm um melhor desenvolvimento intelectual e motor.

5. Partilhar o sono
É importante ser receptivo às necessidades nocturnas do bebé. A API recomenda que se mantenha o bebé numa proximidade íntima, num ambiente de sono seguro. Em muitas culturas é considerado normal e espera-se dos pais que durmam com os seus filhos. Investigações recentes demonstraram que alguns dos benefícios incluem melhor qualidade de sono para as mães e risco reduzido de SMSI (síndrome da morte súbita infantil) para os bebés. A partilha segura da cama inclui um colchão segure e firme e pais que não consomem drogas ou álcool e que não fumam próximo do bebé. Se os pais não se sentirem confortáveis com a ideia de partilhar a cama, lembre-se que a chave é a proximidade íntima e receptividade às necessidades nocturnas do bebé.
A partilha segura da cama requer:
1. Não fumar junto do bebé
2. Não consumir drogas ou álcool
3. Um colchão firme sem roupas de cama fofas nem animais de peluche
4. Utilizar medidas de segurança tais como protecções na cama ou a colocação do bebé num local seguro na cama da família
5. Evitar espaços de qualquer tipo, por exemplo, entre o colchão e a estrutura da cama ou guias laterais que podem facilmente deslizar para fora do colchão
6. Nunca deixar o bebé numa cama de adulto sem supervisão7. Nunca colocar o bebé a dormir num sofá ou cadeira.
* Para obter mais informações sobre os regulamentos para um sono partilhado seguro, visite o nosso website em www.attachmentparenting.org
Vantagens para o bebé:
1. Estudos indicam que as culturas em que os pais dormem com os bebés têm uma incidência reduzida de síndrome de morte súbita infantil (SMSI).
2. Existem mais períodos de sono leve benéficos para criar um ritmo cardíaco estável e padrões respiratórios estáveis.
3. A amamentação é mais bem estabelecida através de mamadas frequentes, que são facilitadas através da partilha da cama.
4. Os bebés sentem-se quentes e seguros, por isso choram menos.
Vantagens para os pais:
1. Mais sono
2. Melhora a duração e quantidade das mamadas
3. A mãe preocupa-se menos com o seu bebé.
4. Os pais desenvolvem uma ligação mais estreita com o bebé.
Se partilhar a cama não resulta para si ou a sua família:
1. Tente outras formas de dormir, especialmente se existirem irmãos mais velhos:
a) Alcofa junto à cama
b) Lado-a-lado: tire um lado da cama de grades e coloque a cama em segurança junto à cama dos pais
c) Colchão, futon ou saco-cama no chão para os filhos mais velhos
2. Estabeleça uma rotina agradável para ir para a cama:
a) Reduza a estimulação desligando a televisão; antes de ir para a cama evite dar ao bebé/criança bebidas ou alimentos que contêm cafeína, tais como leite com chocolate, refrigerantes, chá ou chocolates.
b) Ponha música suave.
c) Dê um banho quente ao bebé/criança.
d) Embale, leia e/ou cante para o seu bebé/criança.
3. As crianças pequenas que têm a sua própria cama vão muitas vezes para a cama mais voluntariamente quando os pais se deitam com elas na sua cama até ficarem bastante sonolentas ou adormecerem. Muitos pais descobriram que os seus filhos rapidamente ultrapassam esta necessidade e acabam por ir para a cama sozinhos sem problemas.

6. Evite separações frequentes ou prolongadas
Os bebés possuem uma necessidade intensa pela presença física de pais afectuosos e receptivos. Através dos cuidados diários e interacções afectuosas formam-se fortes laços entre pais e criança. As separações frequentes ou prolongadas podem interferir com o desenvolvimento de ligações seguras. Tente manter as separações ao mínimo com um bebé pequeno que ainda não fale, e seja receptivo às necessidades do bebé relativamente à sua presença física. As separações longas podem provocar fases de desgosto e que podem afectar a ligação do bebé a si. Se as separações forem inevitáveis devido à sua situação, ajude o seu filho a adaptar-se a elas de forma gradual. Evite a "rotatividade de amas"; a continuidade de cuidados com uma ama constante e afectuosa é crucial. Se trabalha, pode exercer a Educação Intuitiva quando estiver em casa para ajudar a estabelecer novamente uma ligação ao seu bebé.· As separações frequentes e prolongadas podem prejudicar o processo de ligação e podem ter efeitos para toda a vida no desenvolvimento psicológico e emocional a longo-prazo do bebé.· Se as separações forem inevitáveis, é extremamente importante haver uma continuidade de cuidados com uma ama constante e afectuosa. Se tiver de deixar o bebé, assegure-se de que a ama faz das necessidades do seu bebé a sua prioridade máxima. Explique-lhe como pretende que ela trate e cuide do bebé. Faça a transição com bastante antecedência de modo a que seja um processo gradual e confortável para o bebé.· A “rotatividade de amas” - a troca frequente de amas - pode ser muito prejudicial ao processo de ligação.· Quando voltar a estar com o seu bebé, rodeie-o de amor, atenção e afecto. Isto ajuda o seu bebé a sentir o restabelecimento da ligação, o que fortalece a sua relação.

7. Pratique a disciplina positiva
À medida que uma criança cresce é necessário estabelecer fronteiras e limites. Disciplina positiva, métodos não-violentos e apoio afectuoso promovem o desenvolvimento do auto-controlo e empatia em relação aos outros. O que significa a palavra “disciplina”? Deriva da palavra “discípulo”, que significa aquele que segue os ensinamentos do seu mestre. Disciplinar é ensinar.O que é a disciplina positiva? A disciplina positiva começa com a compreensão de que o seu objectivo a longo-prazo é ensinar o seu filho a tomar decisões acertadas como criança e como adulto. Aprendem seguindo bons exemplos e modelos. Transforme-se no tipo de pessoa que quer que o seu filho seja.Como é que a Educação Intuitiva ajuda no processo de disciplina?A criança que é produto da Educação Intuitiva aprende que as suas necessidades serão satisfeitas de forma consistente e previsível. A criança aprende a confiar. A confiança é a base da autoridade, e uma figura de autoridade na qual se confia disciplina de forma mais eficaz.William Sears, MD1. A Educação Intuitiva constrói alicerces fortes. Uma criança que é criada com amor, empatia e afecto aprende a estabelecer fortes laços de confiança com os seus pais. Uma criança que tem uma forte ligação de confiança é mais fácil de disciplinar.2. Os pais são capazes de sentir empatia pela criança e compreender o seu ponto de vista.· É útil aprender as fases do desenvolvimento da criança para compreender o que é um comportamento normal, adequado do ponto de vista do desenvolvimento, de modo a poder reagir de forma adequada. Estes marcos do desenvolvimento incluem:1. nascimento até aos 6 meses2. 6 meses até ao ano3. 1 ano até aos 3 anos4. 4-5 anos5. pré-adolescente6. adolescente7. adolescência(O Gesell Institute of Human Development publicou uma série de livros para pais nas diferentes fases do desenvolvimento da criança escritos pelos médicos Ames e Ilg tais como Your One Year Old (A criança de um ano), Your Two Year Old (A criança de dois anos), etc. Muitos pais consideraram estes livros extremamente úteis.

8. Mantenha o equilíbrio na sua família
O equilíbrio é a chave para evitar o "esgotamento dos pais" e pode ser alcançado cuidando de si através de exercício, descanso e alimentação saudável. As necessidades de um bebé são intensas e imediatas, mas é possível alcançar o equilíbrio na satisfação das necessidades do bebé, assim como das necessidades de outros membros da família.· Independentemente de ser casado com vários filhos ou pai solteiro com um único filho, é importante recordar que encontrar o equilíbrio é a chave para uma vida familiar saudável. É importante que os pais não se isolem. Devem procurar sistemas de apoio dentro das suas comunidades. Isto pode ser alcançado criando um tipo de família alargada de amigos com ideias semelhantes ou participando em grupos de apoio de pais da API, que oferecem não só apoio como também a oportunidade para pais mais recentes de serem orientados por pais mais experientes.· Ser um pai recente muitas vezes exige ajudar a mãe a desenvolver uma relação com o seu recém-nascido. Durante os primeiros meses de vida, o bebé irá frequentemente ser a única preocupação da mãe. Certifique-se de que o pai é incluído nas actividades diárias do bebé. O apoio dos pais ajuda as mães a tornar-se mais confiantes e competentes no seu papel de mãe, e a ser bem sucedidas na amamentação.· É fácil sentir-se "esgotada" e "exausta" pelas exigências da maternidade. Os primeiros meses de vida do bebé podem ser muito intensos e consumir muito tempo. Tentem ser pacientes e sensíveis em relação às necessidades um do outro.· Seja criativo para encontrar formas de passar tempo com o seu cônjuge/companheiro sem comprometer as necessidades do seu bebé. Jantares à luz de velas ou um piquenique na sala de estar podem ser divertidos e ajudam os casais a estabelecer novamente uma ligação.· Tenha um amigo, familiar ou ajudante (um adolescente em que possa confiar), que o bebé conheça, que venha brincar com ele e entretê-lo, enquanto os pais têm algum tempo sossegado noutro ponto da casa. Leve-os consigo se sair.· Esta pessoa pode ajudar com o bebé, mas o bebé será confortado pela proximidade dos pais.· Compreenda que nos primeiros anos as necessidades do seu filho são mais intensas que nunca, e que “também isto passará”.· Todos os pais necessitam de apoio! Por vezes pode ser difícil aos pais encontrar o apoio de que necessitam. O aconselhamento profissional pode ser bastante benéfico para ajudar famílias a voltar a encontrar o equilíbrio e para estabelecer uma ligação a recursos ou outros serviços na comunidade.

quarta-feira, março 12, 2008

INTERVENÇÃO COMUNITÁRIA COM CRIANÇAS, JOVENS E FAMÍLIAS “EM RISCO”

A Equipa de Intervenção Precoce de Vila Viçosa, criada em Julho de 2004 no âmbito do despacho Conjunto 891/99 de 19 de Outubro, tem vindo a desenvolver uma acção em parceria com várias entidades locais, dirigindo a sua actividade de apoio integrado de crianças dos 0 aos 6 anos, com deficiência ou em risco de atraso grave de desenvolvimento e suas famílias.

Desta equipa fazem parte vários técnicos, tais como, Psicóloga Clínica, Terapeuta da Fala, Fisioterapeuta, Técnica Superior de Serviço Social, Educadora, Professor de Expressão Musical e Enfermeira.
Esta formação surge da necessidade sentida pelos técnicos da equipa de intervenção precoce de vila viçosa, necessidade esta que pensamos ser partilhada pelos técnicos das diferentes equipas de intervenção precoce e entidades Parceiras que se encontram espalhadas por todo alentejo.

1. Objectivos:
Actualizar conhecimentos no âmbito da intervenção psicossocial em contextos de risco em Portugal.
Promover a aquisição de competências técnicas na intervenção comunitária com crianças e adolescentes em risco.
Sensibilizar para a partilha e reflexão de perspectivas multidisciplinares.

2. Conteúdos Programáticos:
Contextos sociais “de risco”: bairros sociais; famílias destruturadas; menores delinquentes.
Estratégias de avaliação e de intervenção em cenários de perigo e risco intra e inter-familiar.
A importância da rede social na intervenção em contextos de risco.
O papel do Psicólogo em situações de crise social.

3. Destinatários:
Finalistas e Profissionais de Psicologia, de Serviço Social e técnicos das diferentes áreas que trabalhem com crianças e famílias de risco.

4. Data da Formação
Dias 10 (9h-12h/ 13h-16h), 11 (10:30h -13:00h/14:00h -17:30h) e 12 (10:00h – 13:00h/ 14:00h -17:00h) de Abril perfazendo 18 horas de formação.

5. Local da Formação
Sala de Sessões da Santa Casa da Misericórdia de Vila Viçosa – Avenida Bento Jesus Caraça

6. Formadoras:
Andreia Cardoso[1] e Susana Monteiro

7. Inscrições:
Até 4/Abril/2008: 75€.
Depois de 4/Abril/2008: 90€.

No dia da inscrição tem que ficar coberto, pelo menos, 50% do valor da formação. Os restantes 50% deverão ser pagos por cheque pré-datado para 10 de Abril de 2008 em nome de CeFIPsi.

Os formandos recebem uma pasta do curso com material de apoio às várias sessões e com indicações bibliográficas para cada módulo. No final da formação recebem um certificado de presença.

Notas: Necessário haver número mínimo de formandos para a concretização do curso.
Em caso de desistência, só haverá reembolso do valor pago, antes do início da formação com um aviso prévio de pelo menos, 5 dias úteis.


As inscrições devem ser enviadas para a seguinte morada:
Equipa de Intervenção Precoce de Vila Viçosa
Santa Casa da Misericórdia de Vila Viçosa – Secretaria
Avenida Bento Jesus Caraça, Nº 6
7160 Vila Viçosa


Para mais informações e inscrição contacte:

Tel: 968591428 (Coordenadora da Equipa – Tânia Prata)eipvilavicosa@gmail.com































Promovida pelo
CeFIPsi: Centro de Formação e Investigação em Psicologia
em parceria com a
Equipa de Intervenção Precoce de Vila Viçosa

Para mais informações e inscrição contacte:

Tel: 968591428 (Coordenadora da Equipa – Tânia Prata)
eipvilavicosa@gmail.com
ou
CeFIPsi: Av. da República, nº 83, 5º andar
1050-243 Lisboa
Tel: 21 793 23 22 / 91 271 87 15 / 96 381 61 21
Fax: 21 796 69 73
[1] Psicóloga Clínica em projectos de intervenção comunitária.
[2] Mestre em Psicologia. Psicóloga Clínica em projectos de intervenção comunitária. Psicoterapeuta de crianças e adolescentes.

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Familias acompanhadas pelo PIPREM

A D. Vanda, o Sr. João e a Luduvina
















D. Elisa e Tatiano


Informação do Centro de Recursos e de Formação da apie

Acções de formação/sensibilização (on-line)
Março de 2008

Deficiência mental “níveis e tipos” – 7 de Março
Autismo “perda de contacto com a realidade exterior” – 14 de Março
A intervenção em alunos com x-frágil – 28 de Março

Inscrições
edif@sapo.pt

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

Adivinha Quanto Eu Gosto de Ti



Às vezes, quando gostamos muito, muito de alguém, queremos encontrar uma maneira de descrever como os nossos sentimentos são grandes. Mas, como descobrem a Pequena Lebre Castanha e Grande Lebre Castanha, o amor não é coisa fácil de medir!


editora: Caminho

A criança mais carinhosa

O amor é tudo.
É a chave da vida, e são as suas influências
que movem o mundo.
Ralph Waldo Trine


Escritor e conferencista, Leo Buscaglia contou que uma vez lhe pediram que fosse júri de um concurso. O objectivo do concurso era encontrar a criança mais carinhosa. Quem ganhou foi um menino de quatro anos, cujo vizinho do lado era um homem idoso que perdera recentemente a mulher. Ao ver o homem a chorar, o rapazinho entrou no quintal dele, subiu-lhe para o colo e ficou ali sentado. Quando a mãe lhe perguntou o que dissera ao vizinho, o rapazinho respondeu:
— Nada, só o ajudei a chorar.

Ellen Kreidman
Canja de galinha para a alma
Mem Martins, Lyon Edições, 2002


segunda-feira, fevereiro 25, 2008

I Congresso ORASI: Construindo Melhores Famílias


Local: PortoData: 16 e 17 Maio 2008

APRESENTAÇÃO
A ORASI vem por este meio divulgar o seu I Congresso ORASI, com convidados de renome nacional e internacional, cujo tema é da maior importância nos dias de hoje.
DESTINATÁRIOS
Profissionais e estudantes da área da Saúde e Educação (psicólogos, médicos, enfermeiros, assistentes sociais, professores, educadores sociais, sociólogos, técnicos superiores de aconselhamento psicossocial, psicopedagogos clínicos, serviço social, etc.), pais e público em geral.
OBJECTIVOS
A relação entre a família e a sociedade constitui um tema sempre actual, pelo que tem sido objecto de muitos e variados tratamentos ao longo do tempo. Com efeito, à medida que a humanidade cresce e vai evoluindo, de geração em geração, o elo entre pais e filhos, enquanto famílias, também vai mudando, dadas as dificuldades próprias da complexidade que caracteriza a natureza humana na relação com o universo social. Assim sendo, a ORASI, como entidade atenta às mudanças sociais e globais próprias do tempo em que vivemos, organiza este congresso, nos dias 16 e 17 de Maio de 2008, no Porto, por forma a trazer e mostrar aos interessados e ao público em geral perspectivas diversas e campos de actuação diferentes mas interligados, sobre este tão importante tema na sociedade.
TEMAS
vulnerabilidade dos afectos
efeitos das experiências adversas na infância no adulto
consumo de drogas e família
vinculação e desenvolvimento
intervenção e prevenção nos maus-tratos
cuidados de saúde e família
pais, educação e desenvolvimento
crianças difíceis
ORADORES CONVIDADOS CONFIRMADOS
É para todos nós um privilégio e orgulho contar com vários convidados já confirmados de renome nacional e internacional, a saber: Américo Baptista (Universidade Lusófona, Lisboa, PT); Angela Maia (Universidade do Minho, Braga, PT); António Leuschner (Hospital Magalhães Lemos, Porto, PT); Arthur Horne (University of Georgia, Georgia, USA); Ayse Çiftçi (University of Purdue, West Lafayette, USA); Fernando Almeida (Hospital Magalhães Lemos, Porto, PT); Freitas Gomes (Clínica do Outeiro, Vila do Conde, PT); Isabel Soares (Universidade do Minho, Braga, PT); José Barrias (Instituto de Alcoologia, Porto, PT); João Lopes (Universidade do Minho, Braga, PT); João Salgado (Instituto Superior da Maia, Maia, PT); José Luís Pais Ribeiro (Universidade do Porto, Porto, PT); Luís Vilas Boas (Refúgio Aboim Ascenção, Algarve, PT); Marisalva Fávero (Instituto Superior da Maia, Maia, PT); Octávio Cunha (Hospital de S. António, Porto, PT); Óscar Gonçalves (Universidade do Minho, Braga, PT); Robert Neimeyer (University of Memphis, Memphis, USA); Rui Nunes (Fac. Medicina da Universidade do Porto, Porto, PT); Thomas Sayger (University of Memphis, Memphis, USA); Timothy Melchert (University of Marquette, Milwaukee, USA).
Já se encontra disponível através do site da ORASI ( www.orasi.pt) a apresentação de propostas de comunicações e posters, até ao dia 29 de Fevereiro de 2008.
Para mais informações:
http://www.orasi.pt/congresso.html
Para inscrição online:
http://www.orasi.ubiktek.pt/registration.aspx
Para Call For Abstracts online:
http://www.orasi.ubiktek.pt/call_for_abstracts.aspx

domingo, fevereiro 24, 2008

O cantinho da leitura


Este mês recomendamos o livro de C. Drew Edwards Como Lidar com Crianças Difíceis





Cansado de birras? Discussões? Cenas? Mau feitio? Explosões de raiva? Desobediência? Stress? Não desista. A ajuda vem a caminho.Algumas crianças representam um desafio maior do que outras. Se é pai de uma criança difícil, este livro é para si. C. Drew Edwards, psicólogo clínico e pai, dá-lhe sugestões, técnicas e a informação de que necessita para identificar, abordar e corrigir problemas de comportamento. Ficará a saber: - por que razão algumas crianças são difíceis – pois a compreensão é a chave da mudança;- estratégias específicas para lidar com os problemas do dia-a-dia – da loucura matinal às lutas à hora das refeições, birras em público, guerras com os trabalhos de casa, e muito mais;- como ser um Pai Confiante, que consegue facultar orientação e segurança, carinho e apoio – tudo aquilo de que o seu filho necessita para se tornar uma criança responsável, diligente e satisfeita;- como responder de forma eficaz aos comportamentos que o deixam à beira de um ataque de nervos – desde técnicas fáceis que poderá utilizar a qualquer momento, a esforços a longo prazo que ajudarão toda a família;- como tratar melhor de si próprio (ser pai de uma criança difícil pode ser um trabalho extenuante!)Pelo caminho, irá construir uma relação com mais carinho e respeito, mais positiva e agradável com o seu filho – o tipo de relação que deseja agora e no futuro.Repleto de informações práticas, escrito com conhecimento de causa e sensibilidade, esta é uma obra à qual vai recorrer com frequência em busca de conselhos, de orientação e de boas notícias: Ser pai de uma criança difícil não é impossível. Estas ideias resultam mesmo.



in, http://www.webboom.pt/


sexta-feira, fevereiro 22, 2008

A nossa casa























A sala de trabalho dos técnicos







































A Sala de Apoio à Família




















A sala de Apoio à Criança

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Sonhos de criança

Os sonhos são um dos factores mais angustiantes e mais significativos na vida de uma criança. No entanto, são poucas as famílias (e adultos no geral) que falam com alguma regularidade acerca dos sonhos dos seus filhos e com os seus filhos. Se o fizessem, talvez ficassem admirados, assustados perante os significados para a ocorrência de certos sonhos em determinados momentos.

Os sonhos podem ser tão angustiantes que existem inclusive crianças que têm medo que o dia acabe, medo de dormir. Para estas crianças não há escapatória no sono, este medo vai manter-se até que o factor de ansiedade que sentem na vida real seja resolvido. Os sonhos de uma criança são como um barómetro do seu bem-estar emocional, comunicam o seu nível de stress e dão uma perspectiva do seu turbilhão inconsciente. As causas mais comuns dos sonhos em crianças passam pelo mau ambiente familiar, com a separação/divórcio dos pais, abuso sexual, doenças, sentimentos de isolamento, falta de apoio ou protecção, medo da mudança, medo dos pais, medo dos professores, dos exames/testes, morte, situações traumáticas, stress e ansiedade no geral.Quando recorrentes, transformam-se rapidamente em pesadelos e aumentam a ansiedade e o stress na vida da criança. A maior parte das crianças com quem trabalho, não falam acerca dos seus sonhos/pesadelos e quando finalmente alguém lhes pergunta porque julgam que tiveram aquele sonho, retiram com clareza surpreendente ilações (muito superiores às dos adultos que negam os seus problemas ou são cépticos quanto ao seu significado).

Os sonhos podem ser variados, de acordo com a imaginação de cada criança mas, normalmente reflectem o turbilhão emocional da sua vida em vigília. Podem sonhar com a morte dos pais por terem medo de ficar sozinhas, ou ter sonhos violentos com um dos pais em que a criança se vê impotente para ajudá-lo, decorrentes talvez de um divórcio. Especialmente em casos de divórcio dos pais, ocorrem frequentemente sonhos muito violentos em que a criança se vê a matar animais ou a assistir à morte de um dos pais. É comum também a criança sonhar que é perseguida ou apanhada numa armadilha, temas estes tipicamente associados ao sentimento de vulnerabilidade. Às vezes os sonhos reflectem o que a criança pensa que lhe fizeram, isto é, revelam a cólera disfarçada por causa da situação em que se encontra. Estes sonhos acabam por representar uma maneira segura da criança descarregar sentimentos de destruição, vingança ou rejeição, sem ser castigada ou sem arriscar mais perdas ou, de fazer algo que lhe foi categoricamente proibido como simplesmente chorar…Normalmente os sonhos perturbadores começam com pequenas situações assustadoras, como a criança a ser perseguida por uma minhoca gigante ou ficar sozinha o aumento de pressão em casa, por exemplo a desintegração do casamento dos pais. Os seus sonhos revelam muitas vezes a consciência intuitiva que muitas crianças possuem sobre acontecimentos que se dão no seio da família e que os pais teimam em não revelar pensando estar a proteger a criança (quando possivelmente a estarão a traumatizar).Os sonhos mais perturbadores e angustiantes são normalmente aqueles que envolvem a morte. Explique aos seus filhos que os sonhos com a morte indicam em geral que algum aspecto da vida acabou, não significando realmente que alguém irá morrer literalmente. Em casos de divórcio é comum a criança sonhar com os pais mortos, é necessário fazer compreender aos filhos que os pais não vão morrer mas sim terminar a sua vida em conjunto.Se têm em casa uma criança angustiada com os sonhos, sugerem-se de seguida algumas estratégias simples que como pais/educadores podem utilizar:Tente criar um ambiente carinhoso, de aceitação e de não-julgamento em que a criança se sinta segura para falar. Os sonhos não são bons/maus ou certos/errados, por isso nunca diga a uma criança que ela é má por causa dos seus sonhos. Não se zangue. Não os trivialize pois, são um importante meio de comunicação. Ouça o que a criança diz e faça abertamente perguntas que lhe permitam contar a história à sua maneira. Encoraje-a a explorar o sonho. Por exemplo: “Como é que te sentias no sonho?”, “Encontras-te alguém que te ajudasse?” ou “Qual foi a melhor/pior parte do teu sonho?” Ao ouvir, está a mostrar à criança que dá valor ao que ela tem a dizer, aumentando a auto-estima da criança e a confiança em si.Deve deixar a criança expressar os seus sentimentos sobre o sonho e a sua história no seu próprio ritmo. Não force a criança a falar. Lembre-se que não é Psicólogo/ Terapeuta, mas sim um adulto que está a dar apoio num ambiente não-clínico. É importante também que respeite a confidencialidade que a criança deposita em si. A criança precisa de se sentir respeitada. Se ela decidir falar consigo sobre os seus sonhos, óptimo, mas não abuse dessa confiança, ao falar a outras pessoas desse assunto sem primeiro ter o seu acordo.Ajude a criança a estabelecer ligações com acontecimentos da vida real. Se tiver um sonho que a perturbe, ajude-a carinhosamente a descobrir com o que se relaciona. Ao trabalharem os sonhos, as crianças podem tornar-se muito mais conscientes de todas as pressões psicológicas a que estão sujeitas. É necessário ter ainda em atenção que algumas crianças acreditam que, se falarem nos sonhos, eles acabam por se realizar, outras acreditam que, se caírem em sonho e se atingirem o fundo da sua queda, nunca mais acordam. Tanto adultos como crianças têm alguns mitos. Ajude as crianças a compreenderem o que são os sonhos e a razão por que sonhamos. Terão assim muito menos medo.Se verificar que não consegue construir uma ponte entre a realidade e os sonhos dos seus filhos, consulte um especialista, não corra o risco dessa angústia extravasar para a vida real pois, é nessa altura que começam a surgir as reacções agressivas para os pais, a cólera para os professores, o desinteresse por tudo, o isolamento e a rejeição dos amigos. Muitas vezes… a depressão. Só quando o rendimento escolar e as notas começam a ser prejudicadas é que os pais normalmente começam a ficar preocupados. Estejam atentos, Não caiam nesse erro.

Fonte: http://www.medicosdeportugal.iol.pt, Gabinete de Psicologia e Recursos Humanos
Dra. Lara R. Alves, Psicóloga Clínic

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Como conseguir que o seu filho adquira confiança e segurança em si próprio…



Quantas vezes nós, mamãs, nos interrogamos se os nossos filhos estarão preparados para enfrentar as circunstâncias complexas da vida, e se adquiriram suficientes recursos para se defenderem em situações de mudança… “Poderá adaptar-se à nova escola?”, “Passará no exame?”, “Vencerá algum dia essa timidez?”, “Conseguirá construir um futuro sólido?”.
É claro que nós, como pais, não somos alheios ao modo como eles resolvem estas e outras situações, que sem dúvida se encontram directamente relacionadas com o modelo de educação de cada família, com as capacidades próprias de cada criança e com as características da abordagem pedagógica.
A verdade é que podemos intervir em pelo menos dois destes factores, e que da qualidade das nossas intervenções também dependerá a estruturação de personalidade que a criança irá desenvolver.
Encontro e comunicação
Comecemos então por analisar o modo como acompanhamos o desenvolvimento dos nossos filhos, não como uma maneira de descartar ou de criticar o modo como o fazemos, mas para valorizar o papel de pais e articular estratégias úteis no momento de enfrentar os problemas que se colocam diariamente na educação.
Porque a confiança e a segurança que uma criança tem em si própria é construída a partir de situações reais, conflitos e desafios que no decorrer de cada dia se vão apresentando. Mas, como podemos ajudá-los para que as suas respostas e decisões sejam as mais adequadas? Desde logo, nada conseguiremos se escolhermos por eles.
A modalidade “invasora” não parece ser a mais oportuna. Por outro lado, à medida que as crianças crescem, devem a pouco e pouco distanciar-se saudavelmente dos seus papás, para progressivamente integrarem-se e desenvolverem-se no mundo dos adultos.
E depois? O objectivo está em possibilitar que a auto-estima se instale progressivamente durante a primeira infância, ultrapassando os momentos de intercâmbios e de relacionamentos (que definitivamente são sinónimos de encontro e de comunicação).

O papel do adulto
Durante os primeiros anos de vida, instalam-se as matrizes do afecto e da aprendizagem, e para potenciar essas etapas de construção e consolidação da sua personalidade, é importante apoiar, suster e reforçar a criança no seu futuro quotidiano.
E como? Atendendo às suas necessidades com prontidão, e fazendo-a sentir que pode recorrer a um adulto de confiança face a uma situação angustiante, oferecendo-lhe o nosso apoio, o nosso colo, as palavras consoladoras, o peito perante a fome, a carícia perante o arranhão, o entusiasmo para enfrentar uma situação que lhe exija muito esforço físico ou mental, a mão no ombro… Estes são os elementos carinhosos que a ajudarão.
Se, como adultos, lhe falharmos nestes aspectos, semearemos a desconfiança, a insegurança e a desmotivação. Contribuiremos para instalar na sua mente sensações e percepções confusas que farão danos nas suas potencialidades e a deixarão em desvantagem face a outras.

O apoio familiar
Nos primeiros anos as crianças são mais maleáveis e mais permeáveis às mudanças. Por isso, a vulnerabilidade da sua estrutura psíquica leva-nos a reflectir sobre o mundo das crianças e no impacto que os nossos actos e palavras lhes podem promover. Como podem ser destruídas pelo abandono e pelo desamparo e como podem ser ajudadas e amorosamente apoiadas física e psiquicamente.
Por isso, pensemos na importância que tem uma palavra adequada num momento de desentendimento, ansiedade, perante situações novas ou de surpresa.
Uma criança que pode recorrer primeiro ao amparo e à segurança corporal dos seus pais ou da pessoa que cumpre a função materna, e mais tarde consegue tornar-se independente e a pouco e pouco utilizar os seus próprios recursos, é uma criança segura que depressa se tornará num adulto satisfeito e feliz.
Limites bem colocados
Favorecer o sentimento de segurança e confiança nela própria não quer dizer que se deva apoiar tudo o que faz, mesmo que esteja errado. Poder conhecer os seus limites e os alheios é benéfico para a construção da sua personalidade.
Lembre-se que uma criança tem uma grande necessidade de aprender, e assim como a protegemos dos possíveis riscos físicos, também devemos protegê-la da eventualidade de não encontrar determinadas barreiras e limitações que definam e que contenham as suas emoções, as suas angústias e ansiedades.
Podemos começar por lhes fortalecer desde muito pequenas a sensação de que são capazes de realizar muitas coisas que aparentemente não nos parecem importantes mas que para as crianças são valiosas. Por exemplo, quando identificamos o choro de um bebé adequadamente, sabemos que tem fome e damos-lhe o peito ou o biberão, ou então porque tem cólicas, movimentamos as suas pernitas ou fazemos-lhe uma massagem na barriguinha.
Quando lhe permitimos escolher entre dois objectos em vez de lhe impor um, ela fica a saber que também pode tomar decisões. Ou ao escutá-la e valorizar os seus trabalhos - desenhos, canções, as suas criações em barro ou plasticina, a sua ajuda para pôr a mesa ou arrumar os seus brinquedos - isso propicia a sua segurança e independência.
Lembre-se que é importante fazer os possíveis para que o seu pequenito se sinta activo, participante, reconhecido nas suas capacidades e por isso, seguro de si próprio. Tudo o que conseguirem, por mais pequeno que nos pareça, provocará neles a confiança e a alegria do êxito alcançado.
E embora às vezes nos impacientemos quando os nossos filhos demoram a concretizar uma acção quotidiana, é fundamental que respeitemos os seus ritmos.
Vestir a roupa sozinho e sem ajuda implica um enorme processo… Para facilitá-lo, é boa ideia preparar dois conjuntos, de maneira que ele possa optar, evitando o desanimador “O que é que vestiste?”, cada vez que a escolha nos pareça de “mau gosto”, e assim perder o mérito de tê-lo conseguido fazer sem a nossa ajuda.
É evidente que esta situação pode estender-se a outras circunstâncias e aprendizagens. Que a criança consiga sentir-se útil, considerada como um ser pensador e sensível, depende em parte do nosso papel como pais.
Estimulá-la e apoiá-la nos seus progressos são condições fundamentais para fortalecer os sentimentos de confiança e de segurança em si própria… uma herança essencial para a longo caminho da vida.

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Mais uma breve história: "Esta é a nossa casa"


Clube de Contadores de Histórias
Projecto: Abrir as portas ao sonho e à reflexão

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Esta é a nossa casa


O George estava dentro da casa.
— Esta casa é minha e ninguém pode entrar nela ─ disse.
— A casa não é tua, George ─ disse a Lindy. ─ Pertence a todos.
— Não, não pertence. Esta casa é só para mim! ─ gritou o George.
A Lindy e a Marly foram até aos baloiços.
— A casa não é do George, pois não? ─ perguntou a Lindy.
— Claro que não ─ respondeu a Marly.
A Lindy e a Marly espreitaram pela janela.
— A casa não é tua, George, e nós vamos entrar.
— Isso é que não vão! Esta casa não é para raparigas.
O Freddie estava a passar por ali com o Rabbity.
— Vou deitar o Rabbity ─ disse.
— Não podes ─ disse o George. ─ Esta casa não é para pessoas pequenas como tu.
O Freddie levou o Rabbity a dar uma volta de carro. A Charlene e a Marlene arranjaram a roda da frente. O Freddie queixou-se:
— O George não nos deixa entrar em casa.
A Charlene, a Marlene, o Freddie e o Rabbity foram direitos à casa.
— Alto aí! ─ gritou o George.
— Vamos arranjar o frigorífico ─ disseram a Charlene e a Marlene.
— Isso é que não vão! Esta casa não é para gémeas.
O jacto do Luther aterrou na casa. O Luther foi lá buscá-lo.
— Onde pensas que vais? ─ perguntou o George.
— O voo 505 despenhou-se e vou socorrer os passageiros. Fogo! Fogo! Ni-nó-ni! Ni-nó-ni!
— Não entras aqui! ─ opôs-se o George.
O Luther pediu auxílio por rádio:
— Dra. Sophie! Dra. Sophie!
— Em que posso ajudá-lo? ─ perguntou a Sophie.
— Não conseguimos chegar ao avião.
— Deixe isso comigo!
A Sophie e o Luther abriram caminho por entre a multidão.
— Abram alas para a médica ─ disse o Luther.
— Vamos entrar ─ anunciou a Sophie.
— Isso é que não vão! Esta casa não é para pessoas que usam óculos.
A Rasheda teve uma ideia:
— Vou escavar um túnel.
Enfiou a cabeça debaixo da casa.
— Vai-te embora. Esta é a minha casa ─ disse o George.
— E este é o meu túnel ─ retorquiu a Rasheda.
— Vai cavar túneis noutro lado. Esta casa não é para pessoas que gostam de túneis.
Ouvia-se agora muito barulho à volta da casa e estava calor. O George queria ir à casa de banho.
— Vou sair de casa ─ anunciou. ─ NINGUÉM PODE ENTRAR ENQUANTO EU ESTIVER AUSENTE.
Mal o George saiu, a Lindy, a Marly, o Freddie, o Rabbity, a Marlene, a Charlene, o Luther, a Sophie e a Rasheda entraram logo na casa. Quando o George voltou não havia lugar para ele.
— Esta casa não é para pessoas de cabelo ruivo ─ disse a Charlene.
O George começou a gritar, a chorar, a bater com os pés e a dar pontapés na parede da casa. Depois parou e pôs-se a olhar. Disse então:
— Esta casa É para pessoas de cabelo ruivo, para raparigas, para pessoas pequenas, para gémeas, para pessoas que usam óculos e para pessoas que gostam de túneis!
— Porque ─ gritaram a Lindy, a Marly, o Freddie, a Marlene, a Charlene, o Luther, a Sophie e a Rasheda ─ ESTA CASA É PARA TODOS!


Michael Rosen
This Is Our House
Massachusetts, Candlewick Press, 1996
Tradução e adaptação


sábado, janeiro 26, 2008

As cores e a vida


As cores criaram a vida…

Um dia, o preto e o branco encontraram-se numa bola de vidro tão transparente, que até parecia invisível. Com eles estava uma borboleta com muitas cores.

O preto e o branco olharam espantados um para o outro e perguntaram-lhe como tinha sido pintada.

Na Natureza, o azul, depois de ter criado o céu e o mar, encontrou-se com o verde, que já tinha criado os campos, as árvores e as ervas.

Tiveram um longa conversa e o verde resolveu dar as mãos ao vermelho para nascer o castanho; assim, os troncos das árvores ficaram todos contentes por terem uma nova cor. O azul-pai explicou ao céu que não sabia como tinha nascido; ele só sabia que tinha dois irmãos, o vermelho e o amarelo.

Um dia, o sol tinha-lhe contado que a sua cor surgira quando, uma vez, uma nuvem amarela se cruzara com uma vermelha. Depois ele ajudou o verde a colorir os campos e as flores. O vermelho e o amarelo, de mãos dadas, já tinham pintado todas as flores e os frutos, mas os animais andavam muito tristes, porque eram todos da mesma cor.

Então a borboleta, como voava muito bem, ajudou-os a vestirem-se das cores lindas que têm hoje e, como recompensa, todas as cores deram as mãos e ofereceram à borboleta um bocadinho de cada tom:
— É por isso que nas borboletas tu encontras, de certeza, todas as cores do mundo.


Pedro Alvim
As cores e a vida
Lisboa, Editora Plátano, 1981

segunda-feira, janeiro 21, 2008

Para uma compreensão da actividade do PIPREM em 2007

A entrada de um novo ano pressupõe o pensar novas metas, novos objectivos, pensar o crescimento. Mas também é tempo de reflectir sobre o trabalho realizado no ano anterior. Aqui fica um pequeno resumo desse trabalho.

EM REGUENGOS DE MONSARAZ

População atendida em Reguengos de Monsaraz no ano de 2007
Num total de 92 famílias apoiadas.
Tipo de família

Dimensão do agregado familiar

Situação dos pais perante a actividade económica


Residência

Problemática da criança


Sinalizações recebidas no ano de 2007


Local onde é prestado o apoio


N.º de crianças apoiadas por modalidade de intervenção


Crianças saídas do programa em 2007

EM MOURÃO

População atendida em Mourão no ano de 2007

Num total de 37 famílias apoiadas.

Tipo de família

Dimensão do agregado familiar

Situação dos pais perante a actividade económica

Residência

Problemática da criança

Sinalizações recebidas no ano de 2007

Local onde é prestado o apoio

N.º de crianças apoiadas por modalidade de intervenção

Crianças saídas do programa em 2007

quarta-feira, janeiro 09, 2008

A CRIANÇA E A VIDA

Companheira do sol e das raízes, cheguei à grande cidade.
Numa mão levava o diploma, na outra, o medo. O resto era a história antiga da minha solidão e da minha esperança...
A escola que me deram não era um desses poéticos lugares, brancos e cheios de flores com que sonhamos no fim do curso: era um velho primeiro andar, de uma rua suja de sal, pregões e humidade. Os rapazes que me deram também não tinham nada de comum com esses meninos de bata branca, normais, nos primeiros dias de aula, e que as mãezinhas nos entregam como se fossem de porcelana.
Lembro-me desse nosso primeiro encontro, tão comovidamente, que receio não encontrar a palavra exacta para o esboçar. Abri a porta e eles entraram. Eram quarenta e cinco e faltavam carteiras. Faltavam muitas carteiras, mesmo quando os sentei três a três e pus cinco na mesa que me destinaram para secretária. O director chegou e disse: — Este é o seu reino e aqui tem os seus «meninos». E sorria. — Se tiver sarilhos — há-de tê-los, mas não estranhe — a esquadra da polícia fica no fim da rua. E eu estou ao seu dispor. Para as necessidades imediatas, aqui tem isto. Tem de escolher desde o princípio: ou a Senhora, ou eles. Sem complacências, se quiser sobreviver. Lamento dar-lhe a escória. Mas, paciência.
Desceu a escada.
E eu fiquei ali, face à nova aventura.
O silêncio que me envolveu era um silêncio pesado, expectante. E, no meio do silêncio, eles ali estavam, na manhã que nascia. Esculpidos em vento e mar.
Vinham dos barcos ancorados no cais, do bairro de lata, de sabe- -Deus-donde. Traziam nas mãos, em vez de mala e livros – não sei porquê, mas traziam – folhas de plátano e ramos de amendoeira florida. O Outono dourava-lhes os cabelos.
Eram sementes vivas da mais autêntica liberdade e não sabiam nada de preconceitos, nem de palavras, nem de coisa nenhuma.
Olhei-os também em silêncio. Um por um. Longamente. Depois, peguei na régua que o director acabara de oferecer-me como apoio e dei-a ao que me pareceu mais velho: Toma! Vai atirar fora. E depois, não sei o que lhes disse. Mas a fome de ternura era neles como o sol, a chuva e o desconforto. E como éramos primários, pobres e sozinhos, estabelecemos desde aquela hora um entendimento lúcido e discreto.
E foi assim que ficámos solidários e Amigos – Para – Sempre.
Aprendi então que a Verdade é uma palavra real.
E a Lealdade, também.
Depois, muitos vieram: da Europa, da África, das ilhas perdidas do Atlântico. Mas ali, na escola húmida e despojada, é que aconteceu o milagre que nunca mais se repetira.
Tenho-me perguntado muitas vezes porquê. E cada vez vou tendo mais a certeza que o excesso de conforto destrói o Rosto Iluminado do Homem. Aqueles não tinham, não esperavam, nem pediam nada: por isso, estavam disponíveis para tudo. Os passeios que demos, as notícias que comentámos, os poemas que lemos, a vida que conscientemente os ajudei a desventrar, foram a sua primeira riqueza e fizeram crescer na «escória» uma branca flor de fraterna alegria.
Foi como se um vento de loucura nos tivesse perturbado a todos, e o mundo estivesse suspenso do que fizéssemos. E nas paredes sujas da sala, pintámos o sol e pássaros verdes. E nos buracos dos tinteiros partidos nasceram flores. Eles eram a Terra quente e aprenderam a amá‑la também. E a pobreza que os esboçava começou a ser um pretexto, não para a sua derrota, mas para a sua dignidade e a sua força.
A alegria daqueles rapazes contagiava os indiferentes e as pessoas, muitas, muitas: poetas, professores, pintores, operários, sentiam que junto deles as manhãs eram mais claras e a fome mais terrível. Hoje, alguns serão operários honestos, ardinas apressados, vendedores ambulantes; outros serão marinheiros, outros, sei lá o que serão! Sei lá o que a vida fez deles!
Estas páginas são uma homenagem que lhes devo. Guardei-as, dia após dia, ano após ano, até os perder nos novos caminhos que tive de pisar, como um testemunho. Oxalá alguns deles possam ler estas linhas e reencontrar-se nelas.
Não eram génios, nem poetas, nem meninos-prodígios. Eram filhos de pescadores, de varinas, de ladrões-de-coisas... essenciais-ao-dia-a-dia. Moravam em casas com buracos e dormiam nos barcos, no vão das portas, nos degraus da doca, em qualquer sítio. Alimentavam­‑se de um bocadinho de pão, de um peixe assado e às vezes de água. Apenas.
Tinham oito, nove, dez, onze, quinze anos, mas conheciam as mil maneiras de escapar aos polícias, de viajar de borla, de sobreviver. Os dias eram-lhes duros e comprados com muita coragem e destemor. Por isso custei a entender – ENTENDI!? – como a Poesia foi para eles tão violenta e tão fácil. Pediam para fazer poemas, como quem pede o pão da fome. A princípio a medo, ingénuos. Depois, a mergulharem na aventura da palavra com uma dor e uma lucidez já adultas.
Quando em 1960 expus a primeira colectânea de textos destes rapazes, ilustrados por alguns dos nomes mais válidos da nossa pintura, o ambiente que cercou a exposição, ao verem a idade dos autores, foi de suspeita e dúvida. Quando eles apareciam, desgrenhados e sujos – a hilariedade era quase completa. Saí de lá muitas vezes a apetecer-me rebentar a cara das pessoas, como o Mário e o Zé rebentaram os vidros da casa de uma senhora que duvidara da autenticidade do que estava exposto. E eram eles que me confortavam, soberanos: — Senhora! Deixe lá. Têm a cabeça cheia de vento. Não percebem nada.
Entrava na escola e olhava para Cristo. Sorríamo-nos.
E ficava tudo certo, outra vez.
Mas ensinaram-me que, quando se é humilhado naquilo que em nós é claridade e certeza, aprende-se mais depressa o sentido exacto da liberdade, da paz, do ódio, do amor e do ridículo do quotidiano.
Eles revelaram-me que a miséria transforma as crianças, mais que os adultos, em anjos implacáveis de lucidez, e que a fome os ateia e lhes faz crescer nos olhos brancas e terríveis asas de sonho ou destruição. E há, nestes anjos de fogo, uma voz oculta e violenta em que é preciso, é urgente, meditarmos. Ela pode denunciar, construir ou semear a alegria, a vergonha ou o remorso.
Ela pode ser a semente da Esperança, da Paz entre os homens.
Ela pode ser o ódio.
Ela pode ser o Amor.

Maria Rosa Colaço
A Criança e a Vida
Lisboa, Ed. Ulmeiro, 1996
Adaptação

quinta-feira, janeiro 03, 2008

Curso "O Desenvolvimento da Linguagem: Avaliação e intervenção em Equipas Transdisciplinares

dias 11 e 12 - Janeiro - 2008, no Auditório do IPJ (Instituto Português da Juventude) - Coimbra.

Mais informamos que a ANIP fará um preço especial (38,00 euros) para os técnicos de Intervenção Precoce (Aveiro, Alentejo e Coimbra). Aquando da inscrição deverão mencionar que integram uma Equipa de IP / Distrito ou Região.

ANIP - Associação Nacional de Intervenção Precoce
Av Dr Bissaya Barreto (Hospital Pediátrico - Pav. Azul)3000-075 COIMBRA
Tel. 239 483 288 Fax: 239 481 309
anip.sede@mail.telepac.ptwww.anip.net

quarta-feira, janeiro 02, 2008

Estilos Parentais – Diferentes Formas de Educar

No sentido de melhor compreender os estilos de educação adoptados pelos pais e suas consequências, vários são os autores que têm contribuído para uma classificação dos estilos parentais de forma a poder avaliar o seu impacto no desenvolvimento psicossocial da crianças e prevenir que os mesmos sofram algumas consequências nefastas, bem como promover hábitos saudáveis para a relação pais-filhos.

Considerando alguns estilos considerados por Baumrind (1971), verificamos bastantes diferenças na relação educativa, ao nível do calor afectivo, controlo, comunicação e/ou exigência de maturidade:
¨ Estilo Autoritário, em que há uma tentativa de controlar e modelar, de forma rígida, as atitudes da criança. Estes pais valorizam uma obediência absoluta, recorrendo a medidas punitivas (verbais ou físicas) para que esta se comporte de acordo com a sua exigência. São frequentes as críticas ou ameaças à criança (“se não fazes os trabalhos, deixamos de gostar de ti!”; “és um inútil, nem tirar boas notas consegues!”), havendo escassas manifestações de afecto;
¨ Estilo Permissivo, em que os pais funcionam como recursos para os desejos das crianças, e não como modelos. Neste estilo existe a ausência de normas, não encorajando qualquer obediência. Há geralmente calor afectivo e comunicação positiva, sem exigências de maturidade. Em 1983, este estilo foi dividido em dois (Maccoby & Martin):
o Estilo Indulgente, em que os pais respondem aos pedidos das crianças e são carinhosos, não sendo exigentes quanto a normas ou deveres, nem actuando como modelos de comportamento;
o Estilo Negligente, em que os pais não se envolvem nas suas funções parentais, havendo uma desresponsabilização crescente ao longo da vida da criança, mantendo apenas a satisfação de necessidades básicas (físicas, sociais, psicológicas e intelectuais);
¨ Estilo Participativo ou Autoritativo, em que há o estabelecimento de normas e limites, num clima de calor afectivo. A comunicação é positiva e optimista. Estes pais adequam a sua atitude à especificidade da criança, no tocante à sua idade e motivações, fazendo exigências de maturidade concordantes com as capacidades e interesses da criança.

A investigação tem demonstrado que pais que adoptam um estilo parental participativo têm filhos com maior sucesso escolar e social. De facto, se é importante que os filhos tenham boas notas, o amor parental não é condicionado por esse facto.

É importante que as crianças sintam que os pais os amam incondicionalmente, mesmo quando estabelecem limites (que naturalmente serão questionados pelas crianças e jovens), quando dizem ‘não’ ou quando os filhos cometem erros, e que estas posturas sejam acompanhadas de uma explicação ou reflexão conjunta sendo que, em algumas situações, possam ser negociadas.

O percurso no sentido do sucesso nas funções parentais é construído em cada dia e, não obstante a investigação nos dar várias noções que potenciam uma educação mais eficaz, não há uma linearidade que tão frequentemente pais e educadores procuram.

De facto, o desenvolvimento social e afectivo de uma criança é condicionado fortemente pela educação parental, mas outras variáveis têm influência, como o meio escolar, os amigos, as famílias alargadas, ou mesmo a sociedade em que se encontra. Deste modo, poderemos encontrar excepções em que filhos de pais com um estilo participativo poderão ter menores resultados ao nível escolar e social, ou o inverso poderá ocorrer com filhos de pais com um estilo negligente de educação.

De modo geral, os estudos apontam para que os filhos de pais autoritários sejam obedientes, mas com maiores níveis de ansiedade, mostrando-se inseguros e infelizes, com baixa auto-estima e um índice elevado de depressão. Sendo os filhos de pais negligentes que apresentam maiores fragilidades do ponto de vista psicológico, emocional e social.

A arte de educar é um processo em que os pais vão evoluindo a par do desenvolvimento dos seus filhos. É fundamental que os pais encarem a parentalidade com humildade que lhes permita continuar a reflectir e procurar dar o melhor de si, respeitando a individualidade da criança e promovendo espaços e actividades em que esta possa desenvolver competências sociais e emocionais, já que estas são as chaves para um maior bem-estar.

Catarina Rivero